Andre Dusek/AE
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Dilma: ''Convite do Alvaro Dias, nem para cafezinho''

Candidata do PT recusa convite de tucano para dar explicações no Congresso e afirma não conhecer pivô do escândalo de propinas

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou ontem que não aceitará convite do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) para explicar, no Congresso, acusações de tráfico de influência na Casa Civil. Dilma garantiu, ainda, que não conhece o advogado Vinícius Castro, pivô do escândalo da cobrança de propina, demitido da Casa Civil há uma semana.

"Convite do senador Alvaro Dias eu não aceito nem para cafezinho", devolveu a candidata do PT. "Aliás, não é um convite, é mais uma tentativa do senador de criar um factoide. Ele tenta, sistematicamente, tumultuar essas eleições."

Dias disse que apresentará hoje à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado uma representação pedindo que Dilma seja convidada a esclarecer denúncias de que há um "balcão de negócios" na Casa Civil.

Ao saber da resposta da petista, o tucano reagiu, fazendo coro com o candidato do PSDB, José Serra. "Não estamos falando de café pequeno, mas, sim, de um grande escândalo. Como alguém pode se dispor a ser presidente da República e não enxergar um propinoduto instalado a um palmo de seu nariz?", provocou Dias.

Dilma participou ontem de uma carreata em Ceilândia - maior cidade satélite do Distrito Federal - e, mais uma vez, tentou colar a sua imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pesquisas de intenção de voto recentes mostram que ela caiu entre oito e nove pontos na região.

"Não conheço". Sem esconder a contrariedade com acusações de que há um esquema de facilitação de negócios funcionando dentro da Casa Civil, Dilma disse desconhecer o advogado Vinícius Castro. Demitido na segunda-feira, ele era assessor da Casa Civil, contratado pela então ministra Erenice Guerra no ano passado, quando Dilma ainda era titular da pasta. Erenice caiu há quatro dias, dizendo-se "traída" pelo ex-assessor.

"Eu não me sinto traída porque não nomeei esse senhor. Não o conhecia. Ele não era da minha confiança. Era da confiança dela", insistiu a candidata.

Segundo reportagem da revista Veja, Vinícius era sócio de Israel Guerra, filho de Erenice, na empresa de consultoria Capital e teria embolsado R$ 200 mil em dinheiro, dentro da Casa Civil, em junho de 2009. O dinheiro, de acordo com Veja, integrava o lote da propina paga em pacotes a servidores da Casa Civil como agradecimento à compra adicional do medicamento Tamiflu, usado no tratamento da gripe suína.

Para Dilma, todo ministro ou "ex-ministro da Saúde" sabe bem que processos licitatórios dessa área "nada têm a ver com a Casa Civil". Era uma referência a José Serra, que foi ministro da Saúde de 1998 a 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso. No sábado, Serra disse que "se Dilma sabia (da corrupção) é crime; se não sabia, não é boa administradora".

No ano passado, o Ministério da Saúde comprou sem licitação, em caráter emergencial, mais medicamentos para combater a gripe suína. Foram sete compras, que somaram cerca de R$ 400 milhões. "O Tamiflu é fornecido por um único laboratório internacional. A negociação foi feita entre o Ministério da Saúde e a direção do laboratório. O preço foi reduzido em 76% e a Casa Civil não tem qualquer vinculação com processos licitatórios da Saúde", assegurou Dilma.

Pane. De microfone em punho, na carreata ao lado do candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, Dilma alfinetou a oposição e pediu apoio. "Não vamos deixar que o desespero deles (oposição) contamine a nossa campanha", gritou a petista.

O Jeep que transportava Dilma pifou com menos de 40 minutos de carreata e ela acabou indo embora mais cedo. Antes, porém, teve tempo de transmitir aos eleitores um "recado" de Lula. "O presidente disse para mim: "Dilma, você vai lá em Ceilândia. Saiba que está lá o meu povo, que é igual a mim, que veio também do Nordeste e é para esse povo que a gente tem de governar"", discursou. "É isso que vamos fazer: dar continuidade ao governo Lula."

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