Dilma critica plano tucano de criar Ministério da Segurança

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, condenou ontem a proposta de seu principal adversário, José Serra (PSDB), que defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública. Para se contrapor à sugestão, Dilma recorreu ao mesmo argumento usado pelos tucanos, que sempre criticaram o inchaço da máquina pública.

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

"Não vejo muita importância nisso, dentro daquela questão de não ficar criando ministério atrás de ministério", disse, antes de participar de um congresso de caminhoneiros, no Senado.

Preocupada com as palavras, Dilma repetiu, logo depois, um trecho da resposta "para não haver confusão" por parte dos repórteres. "Concordo que é importantíssimo, e será uma das minhas prioridades, o foco na segurança pública. Mas acho que o Ministério da Justiça tem desempenhado essa função com muito empenho, multiplicando o investimento de recursos", insistiu.

Na prática, porém, Dilma não seguiu a recomendação do comando de sua campanha. A portas fechadas, petistas orientaram a ex-ministra a ignorar a agenda proposta por Serra. Embora a estratégia seja carimbar o tucano como "anti-Lula", a avaliação da equipe é de que a candidata às vezes parece refém do discurso do ex-governador. Detalhe: Dilma tem treinado técnicas de discursos e entrevistas toda semana. Faz, ainda, uma espécie de "fisioterapia da voz".

Roda presa. À plateia de caminhoneiros que lotou o auditório do Senado, a pré-candidata do PT lançou mão de expressões usadas por motoristas, como "roda presa", para provocar Serra e dizer que a política do PSDB pôs o Brasil "no acostamento".

"Se caminhão parado não tem frete, o Brasil parado também não tem desenvolvimento", devolveu Dilma, apresentada pelo locutor da cerimônia como "o braço direito" do presidente Lula. "Tenho certeza de que vocês não vão permitir a volta do atraso e da estagnação", emendou.

Mesmo sem citar Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Dilma não deixou dúvidas sobre a quem se referia. "O Brasil precisa impedir a volta daquela política de roda presa, que engarrafou o desenvolvimento e congestionou o progresso, a política que colocou o país no acostamento", alfinetou.

Programa de TV. Do Senado, Dilma foi à Câmara, onde assistiu à homenagem ao vice-presidente José Alencar. Saiu antes do fim da solenidade para pegar um jatinho com destino a Belo Horizonte, embora a viagem não constasse de sua agenda. Durante a tarde, a coordenação da campanha de Dilma fez mistério sobre o seu paradeiro. Em companhia do marqueteiro João Santana, ela foi à capital mineira para gravar cenas do programa de TV do PT, a ser exibido dia 13 de maio. / COLABOROU EDUARDO KATTAH

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