Dilma critica rival e defende conferências

Petista lembra experiência vivida na ditadura e afirma que governo precisa ouvir[br]movimentos sociais

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, rebateu as acusações do rival José Serra (PSDB), para quem o governo Lula e o PT tentaram intimidar a imprensa nos últimos anos.

"Eu acho estranho. Ao mesmo tempo o candidato tenta, de uma forma muitas vezes patética, ligar-se ao nome do presidente Lula. Fez oposição o tempo todo ao governo do presidente Lula, o partido dele e o que ele representa. Tem dia em que ele faz crítica, tem dia que tenta ligar o nome ao governo Lula. O candidato Serra é assim, fazer o quê?"

Dilma defendeu as conferências realizadas no governo Lula, como as de comunicação e diretos humanos, criticadas por Serra. "Acho importante discutir as conferências. Não tememos os movimentos sociais. Muitas vezes não adotamos as reivindicações, mas jamais vamos deixar de escutar", afirmou.

Em seu discurso na ANJ, a petista afirmou que a democracia brasileira está bastante consolidada e recorreu à sua experiência pessoal de prisão como militante de esquerda no regime militar para reforçar seu compromisso com a liberdade de expressão.

"Um país que viveu na ditadura tem de aprender a conviver com a diversidade de opiniões e com as críticas", disse. "Prefiro mil vezes a multidão de vozes críticas do que o silêncio das ditaduras. Sei a diferença porque vivi sob o silêncio opressor de uma."

Franklin. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, também rebateu Serra. "Ao dizer que o governo censura e persegue a imprensa, Serra falta com a verdade. Contribui também para arranhar a imagem internacional do Brasil, dando a entender que nossas instituições são frágeis, e os valores democráticos pouco consolidados", afirmou, em nota. "Para nós, a liberdade de imprensa é sagrada. O Estado democrático só existe, consolida-se e se fortalece com uma imprensa livre."

Franklin diz que Serra foi tomado pela paixão da campanha. "Compreendemos que as paixões da campanha eleitoral podem, em determinadas circunstâncias, toldar julgamentos serenos, mesmo naqueles que dizem ter nervos de aço. Mas seria prudente que certos excessos fossem evitados."

Ele sustenta que jornalistas e veículos de imprensa jamais foram incomodados por qualquer tipo de repressão. "A imprensa no Brasil é livre. Ela apura - e deixa de apurar - o que quer. Publica - e deixa de publicar - o que deseja. Opina - e deixa de opinar - sobre o que bem entende."

Citada por Serra, a EBC, gestora da TV Brasil, também emitiu nota, assinada por sua diretora-presidente, Tereza Cruvinel. "A EBC e a TV Brasil não existem "para criar empregos na área de jornalismo", como disse o candidato", afirma. "Não é também o governo ou um partido político que dita a orientação editorial dos canais, mas um conselho curador amplo e representativo da diversidade da sociedade."

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