Dilma deixa de tratar compra de caças como prioridade

Tratado como urgente na era Lula, a compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) entrou em compasso de espera no governo Dilma Rousseff. A presidente não está tratando o assunto como prioritário e, nas conversas que manteve com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ainda antes de assumir o Planalto, avisou que queria conhecer melhor as propostas e analisar as ofertas. Ainda não teve tempo de se debruçar sobre o assunto porque outros problemas, como a tragédia das chuvas no Rio, atropelaram a agenda da presidente.

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

"Não vamos começar da estaca zero porque senão seria começar o processo todo de novo e não é isso", declarou ontem Jobim, insistindo que a intenção é tomar uma decisão sobre esse tema em seis meses. Todo o processo elaborado durante o governo Lula considerava o modelo francês Rafale o preferido pelo Brasil.

Primeiro porque foi estabelecida uma parceria estratégica com a França de Nicolas Sarkozy. Segundo, pelo fator transferência de tecnologia, considerado fundamental pela Estratégia Nacional de Defesa.

Os demais modelos que participam da disputa, o norte-americano F-18 e o sueco Gripen NG, têm problemas com transferência de tecnologia. Embora os governos dos dois países avalizem a transferência, o governo brasileiro sabe que o Congresso dos Estados Unidos tem poder de veto nesse tema.

Dilma já tem em mãos o relatório preparado pelo Ministério da Defesa que aponta o Rafale como o único modelo capaz de seguir efetivamente as regras estabelecidas pela Estratégia Nacional de Defesa. A prioridade é a transferência de tecnologia.

A indefinição sobre uma possível data para a escolha do caça gerou grande insatisfação entre os concorrentes que começam a se movimentar novamente querendo mostrar que, passados seis meses das propostas finais apresentadas, têm mais ofertas a apresentar. Depois de escolhido o modelo do negócio, estimado em até R$ 10 bilhões para 36 aviões, ainda será necessário pelo menos mais um ano para que as condições financeiras do contrato sejam fechadas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.