Dilma descarta Dirceu em seu eventual governo

Apesar da atuação efetiva do ex-ministro nos bastidores da campanha, a candidata petista afirmou que sua participação se restringe à militância

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, praticamente afastou ontem a possibilidade de o ex-ministro José Dirceu compor o primeiro escalão do governo caso ela seja eleita. "Não acho muito provável. Ele não está participando diretamente hoje da atividade de governo", disse.

Ao refutar as críticas de seu principal adversário, José Serra, que a acusou de se sentar na cadeira antes da vitória, a petista afirmou que "não passa o carro à frente dos bois" e classificou de "factoides" todas as especulações sobre uma composição de um eventual governo petista.

"Ele (Serra) está passando para mim uma característica que é do PSDB, porque quem literalmente sentou-se na cadeira antes da eleição foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que ele esconde sistematicamente", alfinetou.

Serra fez a crítica a partir do comentário de Dilma sobre a possibilidade de "estender a mão" a Serra em busca de diálogo caso vença as eleições de outubro.

Segundo a petista, "não é pertinente nem correto" discutir a formação de governo antes da eleição. Ela assegurou que nenhum dos partidos da coligação "Para o Brasil seguir mudando" colocou essa discussão "na mesa".

Militante. Apesar de Dirceu ter atuação efetiva nos bastidores da campanha, sobretudo na formação de alianças e palanques estaduais, Dilma Rousseff afirmou que a participação dele se restringe à de militante. "Ele é militante do PT. Ele tem o direito de participar (da campanha) lá no PT", definiu a petista.

Há hoje, nos bastidores da campanha, um debate sobre a formação da equipe de Dilma, em que o fogo amigo petista antecipa posições de Dirceu contrárias à presença política forte de Antonio Palocci no primeiro escalão. Ambos foram os principais ministros do presidente Lula no primeiro mandato e afastaram-se do cargo a partir de denúncias de corrupção.

Após descartar a presença de Dirceu em seu eventual governo, Dilma Rousseff emendou: "Não estou aqui fazendo qualquer condenação ao José Dirceu". Para a petista, o prejulgamento sem condenação na Justiça leva "a uma espécie de banimento social". "Repudio integralmente isso", acrescentou.

Favelas. A ex-ministra rebateu ainda as afirmações de José Serra sobre a ausência de investimentos do governo federal nas favelas de Paraisópolis e Heliópolis, em São Paulo. Lendo números em um papel, a petista deu informações sobre contratos do governo federal com a prefeitura e o governo de São Paulo que somam R$ 521, 8 milhões. Dilma ironizou o fato de na parceria com o governo estadual, antes administrado por Serra, em Paraisópolis, a União investiu R$ 56,6 milhões (70%) da obra e só houve execução de 5%.

Sem julgamento

DILMA ROUSSEFF CANDIDATA DO PT À PRESIDÊNCIA

"Não estou aqui fazendo qualquer condenação ao José Dirceu"

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