Dilma descola carimbo de corrupção do PMDB

Petista diz que corrupção pode ocorrer 'em todo lugar' e afirma que ninguém - numa estocada em Ciro - deveria ter a 'soberba' de associá-la a um partido

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

No dia em que o governo começou a acertar com o PSB a retirada de Ciro Gomes do páreo presidencial, Dilma Rousseff defendeu o PMDB. Em entrevista à Rádio 730, de Goiânia, Dilma afirmou que a corrupção pode acontecer "em todos os lugares" e deu estocada no ex-ministro, ao dizer que ninguém deve ter a "soberba" de associá-la a um determinado partido.

"A questão da corrupção não pode ser confundida com um partido ou uma sigla", comentou a candidata do PT à Presidência. "Os seres humanos são diferentes, a corrupção é uma questão de desvio de conduta e isso pode acontecer em todos os lugares. A gente não pode ter essa soberba ao analisar os outros."

Magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o PT, que o isolaram ainda na largada da corrida ao Planalto, Ciro bombardeou a parceria dos petistas com o PMDB. Dono de língua afiada, chegou a dizer que aliança entre o PT e o PMDB era "terreno fértil" para a corrupção e um "roçado de escândalos semeados".

Apesar de elogiar Ciro e destacar que respeita suas opiniões, Dilma deixou claro que o PMDB é seu aliado preferencial na campanha. Após muita polêmica em relação ao nome do vice em sua chapa, a petista disse que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), é mesmo o mais cotado para fazer dobradinha com ela.

Dilma garantiu que o governo Lula sempre teve um "cuidado muito especial" no combate à corrupção e foi o que mais desencadeou operações da Polícia Federal para investigar e punir culpados. Disse que antes da gestão do PT só os pobres eram presos, mas em nenhum momento citou o escândalo do mensalão, que atingiu o Planalto e dizimou a cúpula do partido, em 2005. "Eu acredito que o PMDB e o PT deram grandes contribuições ao País, para a democracia."

Modelinho. Em mais de uma ocasião ela tentou amenizar as dificuldades para reproduzir nos Estados a aliança nacional com o PMDB. Ao contrário de Lula, que disse ser praticamente impossível o candidato ao Planalto subir em dois palanques no mesmo Estado, Dilma condenou o enquadramento.

"Cada situação regional vai ser diferenciada", argumentou a petista. "Não é possível ter uma regra geral no Brasil, na qual todo mundo segue aquele modelinho e aí, quando a coisa não dá certo, as pessoas se surpreendem. Acho que não pode ser assim."

Para Dilma, é possível conviver com dois palanques, desde que haja um acordo de procedimentos. Na avaliação da cúpula do PT, a pior situação ocorre em Minas - o segundo maior colégio eleitoral do País. Lá, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, vão disputar uma prévia, no dia 2 de maio, para decidir quem deve ser o candidato do PT ao governo mineiro.

PARA ENTENDER

Ex-deputado denunciou mensalão do PT

O esquema do mensalão foi denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) em junho de 2005. Segundo ele, o PT pagava mesada de R$ 30 mil, por meio do tesoureiro do partido, Delúbio Soares, a parlamentares da base aliada do governo, em troca de votos no Congresso. As denúncias atingiram o presidente do PT, José Genoino, e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, que pediu demissão após o escândalo. Em 2007, o STF processou os 40 denunciados no mensalão. Atualmente, o processo está em fase de oitivas.

O problema é que o PMDB exige a cabeça da chapa e quer emplacar no cargo o senador Hélio Costa (MG). "Em Minas haverá palanque único para Dilma", assegurou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "Está tudo bem encaminhado. Minas é vital para o PMDB e o PT sabe disso", emendou o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

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