Fabio Motta/AE-8/11/2007
Fabio Motta/AE-8/11/2007

Dilma deve manter Gabrielli no comando da Petrobrás em 2011

Transição. Presidente eleita está inclinada a atender a sugestão de Lula, que quer evitar mudanças na cúpula da empresa estatal no momento em que Congresso discutirá regras para a distribuição dos royalties do petróleo da camada pré-sal

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu à sua futura sucessora, Dilma Rousseff, que mantenha José Sérgio Gabrielli no comando da Petrobrás pelo menos durante o ano de 2011. Na avaliação de Lula, não é aconselhável mexer na cúpula da companhia no ano em que a briga pela distribuição dos royalties do petróleo da camada pré-sal incendiará o Congresso.

Dilma já teve muitos embates com Gabrielli quando era ministra-chefe da Casa Civil, mas está inclinada a aceitar a sugestão de Lula. A ideia, porém, é que Gabrielli deixe a estatal mais à frente para ocupar uma vaga no secretariado do governo da Bahia. O presidente da Petrobrás é, hoje, o nome mais citado no PT para a sucessão do governador Jaques Wagner, em 2014.

Com a tendência da manutenção de Gabrielli na estatal - que tem previsão de investimentos de R$ 91,3 bilhões para 2011 -, é provável que a diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster, continue no mesmo posto. Amiga de Dilma, a engenheira química é o nome da preferência dela para substituir Gabrielli mais adiante. Além disso, no xadrez ministerial, é sempre lembrada para ocupar uma cadeira no Palácio do Planalto.

Denúncias. Maria das Graças, porém, ficou assustada com a invasão de privacidade depois que apareceu como cotada para chefiar a Casa Civil. A C. Foster, empresa de seu marido, Colin Vaughan Foster, foi acusada de assinar contratos sem licitação com a Petrobrás nos últimos três anos, desde que ela assumiu a diretoria da companhia, onde é funcionária de carreira.

Para Dilma, isso não é problema, mas, na prática, ela ainda não definiu quem levará para a Casa Civil, pasta que comandou durante quase cinco anos. Ministério emblemático por se tornar alvo de crises desde o escândalo do mensalão, em 2005, a Casa Civil ficará mais enxuta e pode perder funções executivas, como a gerência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A presidente eleita procura para a sua antiga cadeira alguém com perfil técnico e que não desperte atenções. São citados para a vaga, além de Maria das Graças, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo; a coordenadora do PAC, Miriam Belchior, e o chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, um dos coordenadores da equipe de transição, é nome certo para o núcleo duro do governo. Palocci deve ocupar a Secretaria-Geral da Presidência, que também será repaginada e cuidará da relação com Estados e municípios. Na semana passada, Palocci conversou com Lula e Dilma e disse que não gostaria de comandar o Ministério da Saúde, hoje nas mãos do PMDB. A vaga é disputada por várias alas do PT.

O ex-ministro da Fazenda vai ajudar Dilma na negociação com governadores e prefeitos para a reforma tributária, a revisão dos índices dos fundos de participação dos Estados e a partilha dos royalties do petróleo.

O projeto que muda o regime de concessão para partilha, na exploração do pré-sal, tramita na Câmara dos Deputados, mas dificilmente será aprovado neste ano. É para evitar "marolas" que Lula não quer que Dilma arrisque mudanças na Petrobrás nesse momento.

OS PERSONAGENS

José Sérgio Gabrielli

Economista pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), é doutor pela Universidade de Boston, nos EUA. Foi diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Petrobrás de 2003 a 2005, quando assumiu a presidência da estatal substituindo José Eduardo Dutra, hoje presidente do PT. Durante sua gestão, protagonizou duros embates com Dilma e sua saída está condicionada à sucessão do governador eleito da Bahia, Jacques Wagner, em 2014.

Maria das Graças Foster

Engenheira e profissional de carreira da Petrobrás, ela não tem perfil político. Ingressou na Petrobrás em 1978 como estagiária. É mestre em Engenharia Nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) e tem MBA em Economia pela FGV. Quando assumiu a diretoria de Gás e Energia da Petrobrás, em 2007, tornou-se a primeira mulher a integrar a cúpula da estatal. É vista como "gerentona" eficiente.

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