Dilma diz que, se eleita, ''estenderá mão'' a Serra

Candidata nega estar de salto alto, mas destaca que após as eleições será hora de desarmar palanques e trabalhar com quem tiver boa vontade

Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, negou ontem estar de "salto alto", mas frisou que, se eleita, vai "estender a mão" para seu principal adversário na disputa, o candidato do PSDB, José Serra.

"As pessoas que concorrem conosco têm de ser respeitadas. Depois da eleição, a coisa muda de figura. A gente desarma o palanque e estende a mão para quem for pessoa de boa vontade e quiser partilhar desse processo de transformação", afirmou ela, em entrevista coletiva no jardim de seu escritório político, em Brasília, no final da tarde.

Questionada se estenderia a mão para Serra, Dilma respondeu: "Estendo a mão para quem quiser partilhar. Eu não sei se ele quer. Você pergunte a ele. Mas, se ele quiser, perfeitamente."

Em seguida, novamente abordada pelos jornalistas, Dilma negou que estivesse fazendo um convite ao tucano. "Estou fazendo um conceito. O conceito é que um governo ou é para todos ou não é republicano", disse.

A petista afirmou que o governo do PT jamais perguntou para um prefeito ou governador a qual partido eles pertenciam. Destacou que, se eleita, as pessoas não vão precisar estender a mão para ela para ter dinheiro.

Procurada pelo Estado, a assessoria de Serra não se manifestou sobre as declarações.

Receita. Dilma também falou sobre o episódio do vazamento do sigilo de quatro tucanos ligados a Serra e disse que pode haver corrupção em qualquer esfera de governo. "Isso incomoda tanto a situação como a oposição. O ex-ministro Marcio Thomaz Bastos sempre dizia que a gente nunca pode apostar na virtude dos homens. Todos os homens e mulheres são falhos. Precisamos apostar na virtude das instituições", declarou.

A petista acrescentou que a Receita tem de buscar melhorar a sua estrutura com maior controle interno. "Tem que punir quem vaza. E, se tiver um esquema de mercantilização, tem de ser punido de forma drástica."

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