Dilma e Bernardo admitem que crise 'é para lá de insustentável'

Em reunião com presidentes da TAM e da Gol, ministros pedem esforço para solucionar caos no setor

Christiane Samarco, do Estadão,

25 Julho 2007 | 19h44

Os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do Planejamento, Paulo Bernardo, reconheceram nesta quarta-feira, 25, que a situação do setor aéreo "é para lá de insustentável" e pediram aos presidentes da TAM, Marco Antonio Bologna, e da Gol, Constantino Oliveira Júnior, que participem do esforço do governo para solucionar a crise aérea. Os dois empresários também tiveram a confirmação de que o governo quer, de fato, abrir o capital da Infraero.   Os ministros relataram aos empresários que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é para que todas as providências sejam tomadas e que o governo considera importante contar com a colaboração das empresas para solucionar a crise. "Vocês podem dizer o que está bom e o que não está bom no setor", relatou o ministro Paulo Bernardo sobre a conversa com os empresários, que atualmente dominam 90% do setor.   Bologna e Constantino, segundo o ministro, elogiaram o plano do governo. O presidente da TAM referiu-se às medidas como "necessárias e pragmáticas". Eles concordaram que Congonhas não pode mesmo ser o "hub", servindo como ponto de partida para várias localidades.   Os ministros insistiram na necessidade de redução dos vôos de Congonhas. A medida, como reconheceu os empresários, reduz em 40% o número de vôos este ano e em 30% o movimento dos passageiros. Nos cálculos do governo, cerca de 5 milhões de pessoas deixarão de transitar por Congonhas este ano com a implantação das medidas. Paulo Bernardo disse que os empresários reconheceram que o governo não tinha alternativa, a não ser a de adotar as medidas que restringem pousos e decolagens no aeroporto de Congonhas.   Aeroporto de Jundiaí   Os ministros comentaram, ainda, a proposta do governo de ampliar o aeroporto de Jundiaí (SP), onde funciona, inclusive, um aeroclube. Como o aeroporto é estadual, o governo quer fazer um consórcio entre estado e União para gerir o aeroporto reformando as instalações, fazendo uma nova torre de comando e partilhando a administração com a Força Aérea Brasileira (FAB). O aeroporto de Jundiaí passaria, também, a atender aos vôos dos jatos executivos, que sempre utilizavam o aeroporto de Congonhas.   O governador de São Paulo, José Serra, já foi informado do projeto do governo para Jundiaí e, segundo Paulo Bernardo, aceitou a idéia. O governo também quer melhorar a estação do aeroporto de Viracopos e, por sugestão dos empresários, deve ampliar o número aparelhos detectores de metais e aumentar a frota de ônibus para facilitar o transporte de passageiros que têm como destino a cidade de São Paulo.   Os ministros informaram aos empresários que o governo solicitou ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o estudo de alternativas de financiamento para ampliar os investimentos nos aeroportos. Da parte do Executivo, o ministro do Planejamento disse aos empresários que o governo estuda a possibilidade de remanejar entre os recursos listados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) mais R$ 2 bilhões para investir em aeroportos, além dos R$ 3 bilhões já previstos no programa.

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