Dilma é contra descriminar drogas

Em entrevista a rádio de MG, petista diz que crack é uma 'praga' e vai combatê-lo

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, condenou ontem iniciativas favoráveis à descriminação de substâncias entorpecentes no País, numa crítica velada ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defensor de que a posse de maconha para uso pessoal não seja considerada crime.

Em entrevista à Rádio JM Difusora, de Uberaba (MG), a ex-ministra da Casa Civil provocou também os tucanos ao afirmar que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "melhorou muito" a distribuição da renda no País.

Dilma reiterou que estabeleceu três prioridades na área social: saúde, segurança pública e educação, sendo que o investimento na área educacional é fundamental para ampliar a distribuição de renda.

"A renda no Brasil é distribuída muito desigualmente. Nós melhoramos muito isso. Tiramos 24 milhões de pessoas da miséria, elevamos 30 milhões para a classe C. Porque subir na vida era uma coisa que tinha acabado no Brasil", disse.

Questionada sobre a má qualidade do serviço do Sistema Único de Saúde (SUS), Dilma lamentou a "perda enorme" de recursos que a área sofreu com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). E admitiu que a rede da saúde "precisa ser reforçada". "Acho que o Brasil vai crescer e nós vamos ter mais recursos para investir em saúde."

"Praga". Ao responder sobre as propostas para o combate a uma verdadeira "epidemia" de crack no Brasil, ela disse que a droga é como uma "praga", que "penetrou em pequenas cidades, no interior do País, nas zonas de periferia e atingiu um conjunto imenso da população".

Para a petista, as autoridades não podem ser seduzidas por ideias de descriminação. "Acho que a gente não pode ser seduzido pelas políticas de descriminalização da droga quando no Brasil a gente vê um caso tão grave como esse, que é o crack. Eu darei extrema prioridade a combatê-lo", afirmou.

De acordo com Dilma, o problema deve ser enfrentado com o tripé "autoridade, carinho e apoio". "Apoio para impedir que mais jovens caiam nessa armadilha fatal, carinho para cuidar dos que precisam se libertar do vício e autoridade para combater e derrotar os traficantes."

Raízes mineiras. Na entrevista, concedida por telefone, a pré-candidata do PT disse que se comprometia com a duplicação da BR-262, entre Nova Serrana, na região centro-oeste do Estado, até Uberaba. A obra, disse, está prevista no PAC 2. "Inclusive, é um compromisso meu."

Mais uma vez, Dilma aproveitou para ressaltar suas raízes mineiras, de olho nos votos do segundo maior colégio eleitoral do País. A petista cumprimentou os "conterrâneos de Uberaba" e lembrou que a mãe - que também se chama Dilma - nasceu na cidade do Triângulo.

Segundo ela, as histórias sobre Uberaba que quando criança ouvia da mãe fazem parte de sua identificação com a terra natal. "É um pouco da mineiridade que eu trago dentro de mim." No próximo dia 2, Uberaba deve receber a visita do pré-candidato do PSDB, José Serra, que deverá participar da feira Expo Zebu 2010.

Oposição. Dilma concedeu ontem outra entrevista a uma emissora de rádio. À Rural, de Petrolina, no sertão de Pernambuco, a pré-candidata à Presidência acusou o governo anterior ao do presidente Lula (sem citar o nome de Fernando Henrique) de ter proibido a construção de escolas técnicas em municípios e Estados que não estivessem com suas finanças ajustadas e não pudessem arcar com o dinheiro de custeio dessas escolas.

"Só servia para Estado rico e município muito rico", afirmou, ao destacar que foi por causa da decisão do presidente Lula de "voltar a investir em educação" que Petrolina tem hoje duas escolas técnicas profissionalizantes com 2.697 vagas. Acrescentou que também foi graças ao presidente que as universidades do País foram resgatadas, não permitindo que fossem sucateadas como acontecia antes.

"Só tem um jeito de melhorar a qualidade da educação, garantindo salário digno e formação continuada para o professor", disse à mais antiga emissora da região do São Francisco.

Questionada sobre a avaliação de que o povo brasileiro gasta mais com saúde preventiva e curativa do que os governos federal, estadual e municipal, Dilma responsabilizou a oposição que impôs derrota ao governo Lula ao aprovar a redução da CPMF. "Foi uma atitude eleitoreira da oposição", disse a ex-ministra da Casa Civil.

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