Ed Ferreira/AE
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Dilma efetiva Passos e atua para evitar que crise com PR se alastre pela base

Além de emplacar seu preferido para comandar Transportes, contra a vontade inicial do partido, presidente assume papel de articuladora política, marca ''happy hour'' com líderes no Palácio da Alvorada no sentido de se reaproximar de Blairo Maggi

Tânia Monteiro, Leonencio Nossa e Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2011 | 00h00

O ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, foi efetivado no cargo pela presidente Dilma Rousseff. Ela formalizou o convite ontem, e Passos aceitou. A posse ocorrerá amanhã. A decisão não agrada à bancada de deputados, mas a presidente já providenciou um encontro no Palácio da Alvorada para acalmar os aliados e não deixar a crise do PR contaminar a base governista.

Desde a semana passada Passos vinha substituindo Alfredo Nascimento (PR-AM), afastado depois de denúncias de corrupção nos Transportes. Para o lugar de Nascimento a presidente chamou o senador Blairo Maggi (PR-MT), mas ele não aceitou o convite. O preferido da presidente passou a ser Paulo Sérgio Passos. Mas, por problemas com o PR, principalmente com a bancada de deputados, Dilma teve de esperar o partido se acalmar.

Para isso, ela começou a fazer afagos no PR e, principalmente, no senador Blairo Maggi, padrinho de Luiz Antonio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que deve ser demitido depois das férias, em agosto, conforme já avisou reservadamente a presidente.

Nesse período, Dilma agiu para se reaproximar do PR e do senador Blairo Maggi, que acabou por ajudá-la a convencer Pagot a fazer apenas um depoimento técnico no Senado, hoje, sem apontar o dedo para ninguém.

Em mais uma tentativa de evitar brigas com a base aliada, agora que conseguiu domar o PR, a presidente Dilma marcou para amanhã um "happy hour" com os líderes dos partidos que formam a coalizão de governo no Congresso. O encontro ocorrerá no Palácio da Alvorada.

Dilma aproveitou seu discurso na cerimônia de entrega do Prêmio Anísio Teixeira, ontem, para reforçar a intenção de se entender com os aliados, dando sinais claros de que está preocupada com a revolta da base.

A presidente fez questão de alterar o texto do seu discurso previamente preparado para a cerimônia ao dizer, olhando para os jornalistas, que "o governo não concorda" com notícias de falta de prestígio de seus ministros.

"Merecem os meus cumprimentos os ministros ausentes Mário Negromonte (Cidades, do PP), Pedro Novais (Turismo, do PMDB), Ana de Hollanda (Cultura, do PT), Orlando Silva (Esportes, do PC do B), Moreira Franco (Assuntos Estratégicos, do PMDB) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário, PT)", disse Dilma. Todos eles foram citados em reportagens no final de semana como desprestigiados.

Dilma mandou ainda elogios a Fernando Haddad, da Educação, nome preferido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a Prefeitura de São Paulo, pelo PT.

"Herança bendita". No mesmo pronunciamento, a presidente Dilma, reforçando o gesto já feito na quinta-feira, no Morro do Alemão, no Rio, elogiou o governo Lula, citando, por cinco vezes, que recebeu dele uma "herança bendita" na área da educação, contrapondo declarações da oposição de que a herança do ex-presidente era "maldita". Nos últimos dias Dilma vinha fazendo citações elogiosas ao ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, o que teria irritado Lula.

Na semana passada, em solenidade no Planalto, ela disse que o governo Lula avançou muito na política social, mas os programas que beneficiam a população mais pobre começaram "há muito tempo", ainda na Constituinte de 88. Ontem, depois de ouvir que de um dos premiados que os benefícios da educação começaram na Constituinte, Dilma primeiro concordou que a partir da Constituinte de 88 houve avanços, com a universalização do ensino. E acrescentou que, "de forma intensa e acelerada", foi nos últimos oito anos, a partir de 2003, que o governo passou a trabalhar para "elevar e expandir a qualidade do ensino médio, da educação superior e da educação básica, inclusive".

Ao usar o discurso de uma cerimônia para tentar fazer afagos aos partidos da base aliada, a presidente Dilma repetiu uma estratégia regularmente adotada pelo ex-presidente Lula, que era fazer os elogios públicos para sua base de sustentação no Congresso, coisa que a presidente Dilma até agora vinha evitando.

Com a sua fala de ontem, Dilma espera que a irritação dos aliados, que atingiu o ápice no PR, não se espalhe para os demais partidos, que também têm ministros na berlinda. Por isso, decidiu fazer o encontro com os aliados no Alvorada, com a desculpa de que iriam comemorar o encerramento dos trabalhos do semestre legislativo. A ideia do governo é que a presidente participe de alguns encontros coletivos, mas que o varejo seria tocado pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

QUEM É

PAULO SÉRGIO PASSOS

NOVO MINISTRO DOS TRANSPORTES

É graduado em Economia pela Universidade Federal da Bahia, tem 60 anos e ocupava a secretaria executiva da pasta até a saída de Alfredo Nascimento do cargo.

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