Dilma, em NY, rebate crítica da ''Economist''

Petista nega que a economia esteja fora de controle: 'Devemos crescer na média de 6%'

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, respondeu às críticas feitas pela revista britânica The Economist de que a economia brasileira parece um Toyota com um "acelerador preso no piso", em uma comparação com os problemas de freio apresentados em determinados modelos fabricados pela montadora japonesa.

"Só se for um Toyota em relação à Europa. Não dá para dizer que a economia esteja fora de controle. Devemos crescer a uma taxa média de 6%, com US$ 250 bilhões em reservas. Controlamos os gastos. O déficit está em 3,3%. Nossa relação dívida-PIB é de 42,9%. E a inflação foi controlada. Eles esquecem de citar essas partes", disse Dilma em entrevista depois de apresentação em evento sobre as eleições organizado pela BM&F-Bovespa em Nova York.

A reportagem da The Economist adverte para o risco de um crescimento não-sustentável. Depois de citar a construção de arranha-céus na Avenida Faria Lima, em São Paulo, e a venda de carros e computadores, a prestigiada publicação britânica acrescenta que "o problema é que, apesar de crescer a um ritmo chinês, o Brasil não é China, pois ainda investe e poupa pouco". Para a revista, isso pode ser bom em ano eleitoral, mas terá consequências no futuro.

A petista rejeitou a afirmação de que o governo esteja relaxando no controle fiscal para facilitar a sua eleição. "Onde já se viu um motorista que sobe juros" na época da eleição, questionou Dilma, voltando ao exemplo do carro usado pela The Economist. "Antes, esperavam as eleições para dar a má notícia", acrescentou a pré-candidata, em afirmação indireta ao governo de Fernando Henrique Cardoso.

Dilma também aproveitou para alfinetar seu rival, o tucano José Serra. "Dizem que o Banco Central não é Santa Sé", afirmou, em referência à declaração do presidenciável do PSDB. "Mas é imprescindível que se mantenha a autonomia operacional" do BC, emendou, em meio a aplausos da plateia, que incluía brasileiros, como a ex-prefeita Marta Suplicy e o ex-ministro Antonio Palocci, e funcionários de bancos como o Goldman Sachs. O BC possui, segundo Dilma, "melhor conhecimento do que todos os bancos internacionais". Ela disse que "a autonomia operacional serviu" para que a Brasil tivesse estabilidade na crise mundial.

Questionada sobre como seria suceder uma pessoa carismática no exterior como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela disse que não dá para fazer comparações. Acrescentou que sua principal qualidade "é ser mulher", além de conhecer bem o governo, por ter sido chefe da Casa Civil.

Dilma afirmou que os investidores não estão preocupados com o risco-Brasil nem com a ala radical do PT, apesar de afirmações no sentido contrário de membros do mercado financeiro americano. A palestra de Dilma durou mais de uma hora. No evento, William Rhodes, conselheiro sênior do Citigroup, afirmou que o Brasil fez um bom trabalho na recessão, mas falta reforma fiscal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.