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Dilma encerra crise com Indonésia após 9 meses

Presidente vai receber embaixador do país, que se recusara a atender pedidos para evitar a execução de 2 brasileiros

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

03 Novembro 2015 | 20h51

BRASÍLIA - Quase nove meses depois de ter criado uma crise diplomática com a Indonésia, por ter se recusado a receber as credenciais do embaixador daquele país, Toto Riyanto, a presidente Dilma Rousseff finalmente deverá reconhecer o novo representante daquele país no Brasil. Está marcada para esta quarta-feira, 4, às 11 horas, no Palácio do Planalto, a cerimônia de entrega de credenciais de 22 embaixadores - Riyanto está previsto para ser o quarto a entregá-la.

A recusa se dera em fevereiro, em represália à não aceitação dos pedidos de clemência feitos por Dilma à presidência da Indonésia, para evitar a execução de dois brasileiros condenados à morte por tráfico de drogas.

Em 20 de fevereiro, Toto Riyanto chegou a ir ao Planalto e seria o primeiro a se apresentar à presidente. Mas Dilma, ao chegar ao palácio, avisou que não o receberia e que estava adiada a entrega de suas credenciais. Coube ao ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira, comunicar a decisão de Dilma a Riyanto, causando enorme constrangimento.

Este é um gesto duro em linguagem diplomática, sem precedentes. Ao fim da cerimônia, em entrevista, Dilma informou que adiou o recebimento das credenciais para aguardar uma decisão do governo indonésio em relação à transferência do brasileiro Rodrigo Gularte, para um hospital, o que o livraria da pena de morte, pela legislação do país. A Indonésia não atendeu aos apelos para evitar a execução dos brasileiros e, diante da recusa da credencial do seu embaixador, mandou chamá-lo de volta ao País.

O carioca Marco Archer Cardoso Moreira foi o primeiro brasileiro a ser executado por tráfico de drogas em janeiro e, em 28 de abril, foi a vez de Rodrigo Gularte, ser morto.

No Planalto, as informações são de que a lista com os embaixadores que entregarão suas credenciais foi apresentada à Dilma no despacho do ministro das Relações Exteriores com a presidente, quando foi marcada a cerimônia, e o diplomata indonésio teria sido informado.

Outra curiosidade desta cerimônia é que os representantes das duas Coréias, do Sul e do Norte, países que têm relações conturbadas, entregarão suas credenciais no mesmo dia. 

A lista dos embaixadores que entregarão suas credenciais inclui ainda os representantes de Luxemburgo, Letônia, Turcomenistão, Argélia, Nova Zelândia, Filipinas, República Dominicana, Costa Rica, Malaui, Emirados Árabes Unidos, União Europeia, Canadá, Sri Lanka, França, Mali, Egito, Sudão, Gabão e Eslovênia.

 

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