Dilma encontra Sarkozy por cenas de TV

Reunião serviu mais para a candidata fazer imagens para campanha do que para futuros acordos políticos

Andrei Netto / CORRESPONDENTE e João Domingos ENVIADO ESPECIAL / PARIS, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

Cenas para campanha. Com Sarkozy: segundo assessores de Dilma, imagens da viagem serão editadas e usadas em seu programa de TV        

 

Sem os privilégios especiais, reservados aos chefes de Estado e de governo, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, encontrou-se na tarde de ontem, em Paris, com o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

No encontro, de menos de meia hora, que serviu mais para montar um estoque de imagens para uso na campanha eleitoral, eles teriam discutido sobre crise econômica, meio ambiente e comércio, sem tocar na compra pelo Brasil dos aviões de caça Rafale, avaliada em R$ 12 bilhões.

Junto da candidata estava o embaixador do Brasil em Paris, José Maurício Bustani, mas não o cinegrafista contratado para acompanhar os passos da petista em sua turnê de cinco dias pela Europa.

Às 17 horas, Dilma reuniu-se com Sarkozy no Palácio do Eliseu. A petista chegou em carro oficial da embaixada, acompanhada por Bustani, e foi recebida pelo ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, e não pelo presidente - que, pelo protocolo, só vai à porta frontal do palácio para receber chefes de Estado e de governo.

Sarkozy não se pronunciou ao fim do encontro, limitando-se a posar para fotografias e acenar para a imprensa. Tampouco o Palácio do Eliseu divulgou nota sobre o conteúdo da conversa.

Relato. Segundo relato da petista, ambos falaram sobre os interesses comerciais entre os dois países, a ação conjunta no G-20 e sobre meio ambiente e a Parceria Estratégica Brasil-França - que inclui a venda de material dos Rafale. Dilma, porém, negou que esse tema específico tenha sido abordado. "Não, este assunto não foi tratado." E negou que, se eleita, teria a mesma preferência já manifestada por Lula pelas aeronaves francesas. "Não, não tenho nenhuma preferência."

Imagens. A reunião serviu mais para a candidata produzir imagens de TV para sua campanha do que para firmar futuros acordos políticos. Mas o cinegrafista João Lourenço Garcia Pena - que integra a equipe de Dilma na viagem - não pôde registrar o encontro com Sarkozy dentro do gabinete presidencial porque a filmagem não foi liberada. Do pátio do palácio, porém, registrou a chegada e a saída de Dilma, as cenas com Sarkozy e até os beijinhos de despedida dos dois.

O cerimonial do Eliseu é rígido. O visitante tem de se despedir e entrar no carro imediatamente, para dar lugar ao outro que chega. Dilma, por exemplo, falou apenas algumas frases logo depois do encontro. Em seguida, seus assessores avisaram que o governo francês estava pedindo para que todos saíssem. O cinegrafista teve de correr para entrar no carro que o transportava. Um segurança gritava: "Rápido, rápido."

Tudo o que Dilma fez em Paris foi registrado por Garcia Pena. Depois da reunião com Sarkozy, o mais importante foi a conversa com a secretária-geral do Partido Socialista francês, Martine Albry, este no hotel em que Dilma se hospedou. Os assessores da candidata informaram que as imagens serão editadas e usadas em seu programa de TV.

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