Dilma estreia no cargo com agenda internacional

No 1º dia de trabalho, ela recebeu líderes de vários países e conversou sobre projeto do trem-bala com primeiro-ministro coreano

Lisandra Paraguassu e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2011 | 00h00

Tema da campanha eleitoral, o trem-bala entre São Paulo e Rio entrou na agenda dos encontros internacionais, no primeiro dia de trabalho de Dilma Rousseff. O assunto dominou a conversa com o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Hwang-Sik, e com o ex-primeiro-ministro japonês, Taro Aso.

Coreia e Japão têm empresas interessadas em participar da licitação da obra. O investimento, de R$ 34,6 bilhões, aguçou o interesse dos coreanos, que atravessaram o mundo para a posse de Dilma e foram dos primeiros países a pedir encontro bilateral.

Mas Hwang-Sik ouviu da presidente considerações sobre a necessidade de a Coreia comprar mais do Brasil - em 2010, o déficit comercial brasileiro atingiu US$ 4,4 bilhões. Tratou-se até da possibilidade de um acordo comercial entre Mercosul e Coreia.

Agenda de viagens. Com uma agenda de sete encontros com chefes de Estado e representantes estrangeiros imediatamente após a posse, Dilma mostrou que não deve deixar de lado as relações internacionais tão cultivadas por Lula. No discurso já como ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota deu a agenda de viagens da presidente para os próximos meses.

A partir da segunda semana de janeiro, a presidente começa a viajar, dando prioridade aos vizinhos Argentina e Uruguai. Em fevereiro, deverá comparecer à Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), em Lima (Peru). Estados Unidos e China também estão na lista prioritária.

Depois de Argentina, Dilma deve visitar o Uruguai. De acordo com Patriota, na conversa entre a presidente e seu colega José Mujica, foi acordado que seria mantida a frequência de encontros a cada três meses. Dilma também prometeu apoio ao governo uruguaio na implantação de seu sistema de TV digital, que seguirá o modelo nipo-brasileiro.

Ela ainda conversou com o Príncipe das Astúrias, Felipe de Bourbon, sobre a Olimpíada de 2016 no Rio. Com o vice-presidente cubano, José Machado Ventura, tratou da cooperação nas ações de saúde no Haiti. "O risco de que a epidemia de cólera se alastre é uma preocupação muito grande dos dois países", disse Patriota, que participou de todos os encontros de ontem.

Dilma também esteve com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que agradeceu ao Brasil o reconhecimento do Estado Palestino e a convidou para uma visita oficial. O primeiro-ministro português, José Sócrates, foi recebido por Dilma e Patriota. "O Brasil é a mais alta prioridade para a política externa portuguesa", disse Sócrates.

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