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Dilma faz homenagem à juíza executada no Rio de Janeiro em entrega de prêmio

Filha de Patrícia Acioli foi aplaudida de pé; presidente acha 'trajetória de direitos humanos complicada'

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2011 | 14h35

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta sexta-feira, 9, os homenageados da 17ª edição do Prêmio Direitos Humanos em cerimônia no Palácio do Planalto. Entre eles, a filha da juíza Patrícia Lourival Acioli assassinada em agosto, com 21 tiros, quando chegava em casa, em Niterói. Dilma entregou o prêmio, in memoriam, na categoria Enfrentamento à Violência, à Ana Clara Acioli, de 13 anos, que foi aplaudida de pé na cerimônia.

"Juíza honrada, lutadora, que enfrentou os grupos de extermínio no Brasil, simbolizamos aqui a homenagem à juíza Patrícia. O Brasil não se curvará aos grupos de extermínio, às atitudes daqueles que se pensam maiores do que o Estado", discursou a ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

O prêmio é entregue desde 1995 a pessoas e entidades que se destacam na defesa e na promoção dos direitos humanos. "O Estado brasileiro agirá sempre pela lei, pela constituição, para que possamos assegurar os direitos humanos a todos os brasileiros e brasileiras", acrescentou Rosário.

Além da juíza, foram homenageados o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto (categoria Garantia dos Direitos da População LGBT), relator da ação que reconheceu a união gay, e o Instituto Vladimir Herzog, premiado na categoria Direito à Memória e à Verdade.

"(O prêmio) É um reconhecimento do trabalho que ela (Patrícia Acioli) fez, tudo que ela fez pelas pessoas e pelo Brasil", disse Ana Clara à imprensa, após a cerimônia. Ana disse esperar que os culpados pela morte da mãe "paguem pelo que fizeram".

Em seu discurso, a presidente Dilma afirmou que "não haverá um Brasil civilizado, se esse país não respeitar os direitos humanos, a garantia à dignidade humana e a garantia de uma clara postura da sociedade, obviamente contra qualquer sorte de discriminação".

Para Dilma, o Brasil tem uma "trajetória complicada na questão dos direitos humanos". "Somos um país que até 120 poucos anos atrás era escravista e ninguém vive a escravidão sem sequelas danosas", afirmou.

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