Marcello Casal/ABR
Marcello Casal/ABR

Dilma ignora pressão do PMDB e mantém formato de núcleo político

Ao lado dos ministros Palocci e Luiz Sérgio e do vice-presidente, Michel Temer, presidente decide que ''núcleo duro'' do governo não será alterado só para atender aos peemedebistas; avaliação é de que outros aliados também exigiriam participação

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff desistiu de ampliar a coordenação política do governo para incluir um representante do PMDB. Ao menos por enquanto, a ideia é manter fechado o núcleo da coordenação para facilitar a conversa neste período de crise entre petistas e peemedebistas por conta da partilha dos cargos do segundo escalão do governo.

Reunidos ontem com Dilma, o vice-presidente da República, Michel Temer, e os ministros da Casa Civil, Antonio Palocci, e das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, avaliaram que o tamanho do núcleo duro do governo é o ideal para resolver os problemas mais graves entre os maiores parceiros da aliança. Concluíram que o PT está bem representado e o PMDB tem o vice, que é presidente licenciado da legenda.

Por pressão do PMDB, Dilma chegou a cogitar a presença do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), no grupo da coordenação, que se reúne semanalmente. A avaliação feita ontem, porém, é a de que incluir outro nome do PMDB, agora, seria abrir um precedente para que todos os demais partidos da base aliada - PSB, PDT, PC do B, PP, PR e PTB, entre outros - reivindicassem um assento no fórum. Neste caso, os ministros e a presidente entenderam que o núcleo político se transformaria numa assembleia dos governistas.

Outro inconveniente de se ampliar a coordenação, hoje restrita aos chamados "ministros da casa", é que PT e PMDB também não querem discutir seus problemas em público. Para o governo, permitir que os dois maiores partidos da coalizão "lavem a roupa suja" diante de outros aliados não convém para não alimentar a insatisfação dos demais com a partilha do poder e tumultuar a sucessão na Câmara.

Não há veto à participação de outros ministros no colegiado. Quando a agenda envolver um assunto do interesse de um ministério específico, o ministro será chamado ao debate. Está nos planos de Dilma, ainda, a formação de outro grupo mais amplo, com a participação de líderes e presidentes de partidos aliados, para discutir assuntos de interesse no Congresso, tal como ocorreu no governo Lula. Esses encontros, no entanto, só vão começar depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado.

A reunião formal da coordenação de governo, prevista para ontem de manhã e cancelada, na prática ocorreu apenas com um grupo mais fechado, que cuida dos litígios entre PMDB e PT. Dilma congelou as nomeações em empresas estatais até que se conclua a sucessão no Congresso, em 1.° de fevereiro, exatamente para facilitar as conversas em torno dos postos em disputa.

A tarefa de encontrar uma solução para os impasses foi entregue a Palocci e Temer, com a missão de evitar que o confronto ponha em risco a governabilidade e o acordo para eleger o petista Marco Maia (RS) presidente da Câmara. O que preocupa Dilma é a pauta extensa de interesse do Planalto no Congresso, que vai da votação do salário mínimo ao reajuste de aposentadorias, passando pelo Código Florestal.

Foi nesse contexto que a presidente suspendeu trocas no segundo escalão. Parlamentares do PMDB observam que o duelo foi só adiado. Mudanças pacíficas, contudo, estão liberadas. O exemplo de ontem foi a substituição de Gerson Penna, da equipe do ex-ministro José Gomes Temporão (PMDB), pelo petista Jarbas Barbosa para a Secretaria de Vigilância em Saúde.

PARA LEMBRAR

Em julho do ano passado, reportagem do Estado revelou que Edison Lobão (PMDB-MA) articulou, na época em que comandava o Ministério de Minas e Energia, uma operação para retomar o projeto de exploração de ouro no garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará. A operação envolveria pagamentos suspeitos a cabos eleitorais de Lobão e diversas empresas, algumas de fachada.

Segundo a reportagem, a estratégia do grupo de Lobão incluía o pagamento de um benefício mensal no valor de R$ 900 para 96 pessoas que vivem na área da antiga mina. O esquema foi batizado de "mensalinho da Serra" e seria alimentado por recursos repassados à Cooperativa Mineral dos Garimpeiros de Serra Pelada. Na época, o ministro não comentou o assunto.

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