Roberto Stuckert Filho - PR/Divulgação
Roberto Stuckert Filho - PR/Divulgação

Dilma inaugura aeromóvel em trecho de 814 metros e defende transporte público

Ele ligará o aeroporto Salgado Filho a uma estação do trem metropolitano de Porto Alegre

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2013 | 12h27

PORTO ALEGRE - A presidente Dilma Rousseff defendeu a oferta e o uso do transporte público, com modais integrados, como solução para o problema da mobilidade urbana e qualificação da vida nas grandes cidades brasileiras, durante cerimônia de inauguração da primeira linha de aeromóvel do País, neste sábado, 10, em Porto Alegre.

 

Sem fazer referências às recentes manifestações por redução de preços e qualificação que tomaram as ruas de diversas cidades, Dilma lembrou que, graças à melhoria de renda dos brasileiros, o transporte privado individual ocupou papel muito importante no imaginário das pessoas. "Eu acho que isso não tem nada de mais desde que os agentes públicos se preocupam com o transporte de massa", comentou.

 

Dilma afirmou que o transporte é a base pela qual as pessoas vão para o trabalho, a escola e o lazer, mas ressaltou que "não pode ser o transporte privado que estrutura a vida no espaço urbano". Citando o aeromóvel, que liga o aeroporto Salgado Filho a uma estação do trem metropolitano de Porto Alegre, a presidente destacou que "a conexão entre os modais é a alma da coisa".  Sustentou, ainda, que não é só o caso de construir metrôs e sistemas de transporte rápido por ônibus, mas também de articular a integração dos diferentes meios "para que todos saibam que é mais rápido usar o transporte público do que o próprio carro", sugerindo que "o carro privado fique para aqueles dias de lazer e não aquele uso sistemático que se faz dele hoje no País".

 

Aeromóvel. O aeromóvel foi citado por Dilma como um exemplo de como pode funcionar a integração entre modais. Trata-se de um veículo não motorizado que anda sobre trilhos em elevada impulsionado pelo deslocamento de ar gerado por ventiladores industriais para trajetos pequenos. O vento soprado dentro de um duto empurra uma placa fixada sob a cabine, semelhante a uma vela de barco, deslocando o veículo. A tecnologia foi desenvolvida há mais de 30 anos pelo empresário gaúcho Oskar Coester, saudado efusivamente pela presidente como um brasileiro inovador, e ainda não era usada no País. Um aeromóvel é usado em um trajeto de 3,2 quilômetros em Jacarta, na Indonésia.

 

Em Porto Alegre, o aeromóvel fará um trajeto de 814 metros, entre o aeroporto Salgado Filho e uma estação de trens metropolitanos. A fase de testes começa nos próximos dias. A operação comercial está prevista para novembro. O passageiro pode usar tanto o trem metropolitano quanto o aeromóvel com uma passagem, ao custo atual de R$ 1,70. O investimento do Ministério das Cidades no projeto foi de R$ 37 milhões. As obras começaram há dois anos.

 

A presidente lembrou que uma cidade vizinha a Porto Alegre, Canoas, já elaborou projeto para o uso do aeromóvel em três ramais de integração com outras modalidades usadas no município.

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