Dilma insiste em terceiro aeroporto em São Paulo

Ministra-chefe da Casa Civil fez questão de dizer que o Planalto não cedeu às idéias do governador José Serra

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2001 | 00h00

O Planalto reagiu ontem à decisão anunciada pelo ministro Nelson Jobim (Defesa) de atacar a crise do apagão aéreo, em São Paulo, adotando a proposta do governador José Serra (PSDB) de construir uma nova pista e um novo terminal no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, em vez de priorizar a construção de um terceiro aeroporto na região metropolitana da capital.Em Cuiabá (MT), onde acompanhava a visita oficial do presidente Lula, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o governo federal "não recuou um único milímetro" na decisão de construir o terceiro aeroporto. A ministra fez questão de dizer que o Planalto não cedeu a pressões de Serra e manteve a busca de local para a obra.Dilma falou sobre o caos aéreo pouco antes de o presidente Lula abrir uma solenidade no Centro de Eventos do Pantanal, onde anunciou liberação de R$ 521,5 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras de saneamento em Mato Grosso. A ministra evitou fazer declarações como se estivesse desmentindo o colega da Defesa, acrescentando até que as relações com ele "estão perfeitamente harmoniosas". Afirmou ter a certeza de que Jobim está adotando medidas "para que haja uma solução consistente (para a crise). Não se trata de marcar data da solução, mas de providenciar os elementos para solucionar o problema. Essa é uma questão que o governo atribuiu ao ministro."A assessoria de Jobim disse, depois de tomar conhecimento da entrevista de Rousseff, que a Defesa procura "soluções mais urgentes" para a crise, e que não está nem descartando nem adotando a decisão de construir o novo aeroporto. Na segunda-feira, em entrevista ao jornal O Globo, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, disse que um novo aeroporto em São Paulo "é obra para os próximos 30 anos, com prazo de conclusão só em 2050".Em Cuiabá, a ministra Dilma Rousseff disse ainda que continua em vigor a Resolução 6 do Conselho Nacional da Aviação Civil, que manda a Infraero ampliar os aeroportos e autoriza a Anac a fazer estudos para levantar o local do novo aeroporto paulista. Os 90 dias anunciados em rede de TV por Lula, no dia 20 de julho, afirmou, referem-se à apresentação dos locais em estudo. "Isso (o prazo) está mantido."A gravação mostra que o presidente anunciou os estudos e a "construção de um novo aeroporto na região de São Paulo", e que isso isso fazia parte de um conjunto de medidas de curto prazo "para diminuir os riscos de novas tragédias." O aeroporto, claro, não seria construído em três meses, mas estava no pacote de emergência - o que foi descartado pelo ministro Nelson Jobim.

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