Dilma luta para tirar ''eu acho'' do vocabulário

Dilma Rousseff foi orientada por coordenadores políticos de sua campanha a cortar a expressão "eu acho" de suas frases. Na avaliação da equipe, o recurso indica insegurança.

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, no entanto, ainda não conseguiu abandonar o hábito. Na propaganda de TV que foi ao ar na estreia do horário gratuito, na terça-feira à tarde - e acabou repetida na noite de quinta -, Dilma disse 11 vezes "eu acho", enquanto o presidente Lula recorreu a apenas um.

O comando da campanha elogiou o programa, mas pediu ao marqueteiro João Santana que editasse o texto para retirar a expressão. Na quinta-feira, porém, nada foi mudado.

"Eu acho que olho o mundo com um olhar mineiro e acho que penso o mundo com um pensamento gaúcho", afirmou Dilma no programa. "Eu acho que estou preparada e acho que o Brasil está preparado", emendou.

No debate da TV Bandeirantes, realizado no dia 5, Dilma conseguiu trocar os "eu acho" por "eu considero". Mas, ao participar do segundo debate - desta vez promovido pela Folha/UOL, no último dia 18 -, voltou a usar a expressão.

Acostumada a empregar termos técnicos, a candidata tem sido treinada para adotar linguagem mais popular. Na tentativa de convencer Dilma de que certas expressões passam a imagem de incerteza, coordenadores de sua campanha lembraram a ela que Lula lança mão de um "eu penso" para manifestar opiniões.

A petista, porém, é teimosa. Em mais de uma ocasião, disse que quem manda é ela. "E também não tenho intérprete", avisou. Dilma odeia comentários de que está sendo "treinada". "Eu me preparo; é diferente", alega a candidata.

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