Dilma: não é 'civilizada' a campanha da oposição

Candidata promete, em Natal, erradicar a miséria e levar os brasileiros à classe média

Anna Ruth Dantas, enviada especial para o Estado, de Natal, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, acusou ontem o PSDB e o DEM de não fazerem uma oposição civilizada ao governo do Lula. "Eles fizeram uma oposição não racional. Foram contra o Prouni, contra a transposição do Rio São Francisco", disse a petista.

Ela afirmou que a oposição "fez menos", quando esteve no governo. "Nós nunca viramos as costas para o Nordeste. Trouxemos água para esta região."

Ao mesmo tempo em que mirou no principal opositor, José Serra, a petista também prometeu erradicar a miséria. Afirmou que sua meta é conduzir todos os brasileiros ao padrão de vida de classe média.

"De nada adianta um ponto porcentual no PIB se não melhorar a vida do brasileiro. O primeiro compromisso que eu tenho é com a erradicação da miséria neste país. Isso não é anexo, não é colorido, ele é o cerne do plano de governo. O desenvolvimento que queremos é para os 190 milhões de brasileiros", ressaltou.

A petista afirmou que o governo federal elevou 31 milhões de brasileiros para classe média e destacou que esse é o padrão mínimo que deseja para os brasileiros. "Temos de fazer com que o País se eleve. Quase 70% da população está acima da classe C. Temos de conduzir todos os brasileiros ao padrão de vida de classe média. Essa é a nossa missão e nosso compromisso primeiro."

Marina. Ela classificou de "infundadas" as afirmações contidas na biografia oficial de Marina Silva. No livro, a presidenciável do PF afirma que Dilma poderá não ser rígida na concessão das licenças ambientais para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

"Nós levamos a sério as licenças ambientais das obras do PAC. Levamos a sério quando ela era ministra do Meio Ambiente e levamos a sério quando o (Carlos) Minc era ministro. Tanto levamos a sério que neste último período, sem Marina ser ministra, o ministro Minc mostrou os dados do desmatamento e caiu de 27 mil quilômetros para 7 mil quilômetros. Tivemos o compromisso de levar adiante política rígida em relação à comercialização de madeira. Isso (o que está no livro) é absolutamente infundado."

No mesmo palanque de Dilma, estavam o governador Iberê Ferreira (PSB), o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT), ambos candidatos ao governo do Estado, e quatro concorrentes ao Senado. A petista elogiou o que chamou de "unidade" dos candidatos em torno do nome dela para a Presidência.

SBPC. Dilma também esteve na 62.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Natal, que reúne pesquisadores e estudantes universitários. Ela afirmou que tem como meta chegar a um total de 220 mil mestres e doutores no País, um aumento de 300% em relação ao número atual.

Durante seu discurso, ela afirmou ainda que vai expandir as universidades federais. "Se tem uma coisa que me dá orgulho é a interiorização das universidades federais por todo o País. Essa é uma das nossas maiores conquistas e podem ter certeza que vou expandir ainda mais." / COLABOROU AFRA BALAZINA, ENVIADA ESPECIAL

Dupla militância

A caminhada realizada pela candidata Dilma Rousseff, no bairro do Alecrim, em Natal, teve uma peculiaridade: contou com a presença de dois candidatos adversários no pleito estadual: o governador Iberê Ferreira, que disputa a reeleição pelo PSB, e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo, que concorre ao cargo pelo PDT.

A petista fez elogios aos dois candidatos,cujos partidos integram a base aliada ao governo federal. "Eles me apoiaram e eu os apoio. Juntos vamos ganhar essa eleição", declarou a presidenciável.

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