Roberto Stuckert Filho/PR-8/9/2011
Roberto Stuckert Filho/PR-8/9/2011

Dilma: ''Não faço política de toma lá dá cá''

Na TV, presidente nega ser refém dos aliados e se diz contra novo imposto para financiar saúde

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2011 | 00h00

Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, a presidente Dilma Rousseff disse que não faz política de "toma lá dá cá" e negou ter sido forçada a atender exigências de aliados. "Nunca dei nada a ninguém que eu não quisesse." A entrevista, de pouco mais de 20 minutos, foi exibida em dois blocos, na noite de ontem. A primeira parte foi gravada no Palácio da Alvorada e a segunda, no Planalto.

"Você me dá um exemplo do "dá cá" que eu te explico o "toma lá"", respondeu Dilma à jornalista Patrícia Poeta, quando questionada sobre pressões dos partidos de sustentação do governo. Em seguida, amenizou: "Tô brincando contigo." Dilma disse que não se sente refém das bancadas aliadas no Congresso.

A presidente afirmou que o combate à corrupção "jamais se encerra" e que não gostaria de trocar mais ministros, depois da saída de quatro deles em apenas três meses. E rejeitou o termo faxina para as ações contra desvio de dinheiro público. "Faxina começa às seis da manhã e, às oito, ela já acabou", comparou.

Lembrada de que algumas demissões estão ligadas a suspeitas de corrupção, Dilma, sem citar nomes, disse que os ex-ministros "ainda não foram julgados, então não podem ser condenados". "Eu espero nunca trocar nenhum ministro e muitos deles eu não troquei exatamente por isso (corrupção)", respondeu, citando Nelson Jobim, que deixou o Ministério da Defesa em agosto. Também saíram do governo Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes) e Wagner Rossi (Agricultura).

"Engodo". Dilma chamou a CPMF de "um engodo" e se disse contra o imposto. Mas reiterou que o País terá de encontrar uma nova fonte para suprir o "inexorável" aumento de gastos na saúde. Questionada sobre a possibilidade de um novo imposto para financiar o setor, foi clara: "Sou contra a CPMF, hein". Em seguida, disse que "a população é contra" porque "a CPMF foi feita para ser uma coisa e virou outra". "Acho que a CPMF foi um engodo nesse sentido de usar o dinheiro da saúde não para a saúde."

À pergunta sobre a fama de durona, disse que dá "bronca meiga" e que, se o presidente fosse homem, não seria chamado de "durão". "Tenho que achar que vai sair um pouco mais perfeito e que a gente vai conseguir. Se eu não fizer isso, eu não dou o exemplo e as coisas não saem."

Embora tenha chamado o cabeleireiro Celso Kamura para fazer o penteado e a maquiagem que exibiria no programa, Dilma contou que, no dia a dia, cuida sozinha do próprio visual. Disse estar bem de saúde e revelou que, depois de curada do câncer, faz revisões médicas a cada seis meses. "A questão do câncer é resolvida quando se consegue detectar cedo", comentou.

Dilma levou a equipe do programa para um tour pelo Alvorada e disse que seu ambiente favorito é a biblioteca. Tanto no Alvorada quanto no Planalto, porta-retratos com a mesma foto: o neto Gabriel usando uma camiseta com a inscrição "Sou da vovó".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.