Dilma nega ''faxina'', mas promete ''providências''

Mesmo em meio às novas crises em seu ministério, presidente afirma que não fará da demissão de servidores uma prática de sua gestão no Planalto

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2011 | 00h00

Questionada sobre a onda de demissões na Esplanada dos Ministérios, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que a "faxina" promovida em áreas com focos de corrupção não será meta do seu governo.

De acordo com Dilma, "não se demite nem se faz escala de demissão, nem se quer demissão todos os dias". "Isso não é, de fato, Roma antiga", disse a presidente à imprensa, após cerimônia de lançamento do Crescer - Programa Nacional de Microcrédito. Em seguida, disse: "Faxina, no meu governo, é faxina contra a pobreza. É isso que é a faxina do meu governo. Os restos, eu disse para vocês, são ossos do ofício da Presidência, e ossos do ofício da Presidência não se interrompem. Se houver, algum malfeito, tomarei providências".

"A lei é igual para todos. Não tem aqueles que estão acima da lei, a lei é igual para todo mundo", destacou a presidente, mencionando ainda a presunção de inocência.

Setores do PT temem que a "faxina" carimbe o governo Lula como corrupto. Em menos de três meses, Dilma perdeu quatro ministros (Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Nelson Jobim e Wagner Rossi). À exceção de Jobim, todos caíram por terem o nome associado a escândalos. Enquanto tenta minimizar as tensões com a base aliada, a presidente é confrontada com mais denúncias envolvendo outros ministros da Esplanada, como Pedro Novais (Turismo), Mário Negromonte (Cidades), Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffman (Casa Civil).

"O que eu não vou aceitar, em hipótese alguma, é que qualquer pessoa do meu governo, seja sem respeitar os princípios fundamentais que fundam a Justiça moderna, que são: respeito aos direitos individuais e às liberdades...", disse a presidente, sem concluir a frase. "É importantíssimo você respeitar a dignidade das pessoas, não submetê-las a condições ultrajantes, e eu sei disso, porque já passei por isso", prosseguiu a presidente referindo-se ao período em que foi presa e torturada durante a ditadura militar (1964-1985).

Para Dilma, "a pauta de demissões" não será assumida pelo governo, mas ela prometeu "tomar providências". "Eu acho que se combate o malfeito, não se faz disso meta do governo".

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