Dilma nega guinada e rejeita controle da mídia

Em entrevista à TV Brasil, petista deu várias estocadas em Serra e disse que tentam explorar 'temores obscuros' em relação a um novo governo do PT

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

Empenhada em desfazer a imagem de que dará uma guinada à esquerda no governo, se vencer a eleição, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem que é "rigorosamente contrária" ao controle de conteúdo da mídia e mostrou disposição para enquadrar as alas radicais do partido.

 

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Membro da campanha critica petista

Em entrevista ao programa 3 a 1, da TV Brasil, a petista pregou a liberdade de expressão e o direito à crítica. "É inadmissível a censura à imprensa", afirmou Dilma. "O único controle que admito é o controle remoto, na mão do telespectador, porque ele muda de canal."

A candidata fez a comparação em tom bem humorado ao ser lembrada sobre as propostas preparadas pelo PT para seu programa de governo, sugerindo o combate ao monopólio e o controle social dos meios de comunicação. A plataforma chegou a ser apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas, diante da repercussão negativa, esse e outros trechos polêmicos acabaram retirados do documento.

Sem citar nominalmente o candidato do PSDB, José Serra, Dilma deu várias estocadas indiretas no adversário e disse que há pessoas tentando explorar "temores obscuros" em relação a um novo governo do PT. Ao ser questionada se conseguirá dominar as tendências mais à esquerda no mosaico ideológico do petismo, caso chegue ao Palácio do Planalto, ela garantiu que não alimenta essa preocupação.

"O poder de um governo é descomunal em relação a um partido", afirmou a ex-ministra da Casa Civil, numa referência à sua intenção de enquadrar os radicais. Dilma lembrou que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou uma campanha de temores quando era candidato, em 2002. "Chegaram a falar: "Eu tenho medo de que Lula seja eleito"", disse ela, em alusão à atriz Regina Duarte, que fez o comentário no programa de TV do então candidato Serra.

Perguntada sobre o apoio dado pelo governo Lula a países que não respeitam os direitos humanos, como Cuba, Dilma respondeu com outra indagação: "E Guantánamo respeita os direitos humanos, companheiro?"

Para a ex-ministra, Lula não interfere na política externa dos outros países e trabalha para construir um ambiente de paz, não de atrito. Mais uma vez, ela defendeu a liberdade de expressão. "Sou contra preso político por crime de opinião, sou contra alguém ser preso político", reiterou. "Nós respeitamos a liberdade de imprensa."

Em nova alfinetada indireta na direção de Serra, Dilma disse que "jamais" ligará para um editor de jornal com o objetivo de reclamar de reportagens. "Acho inadequado alguém telefonar para o editor e pedir punição a jornalista", insistiu. Apesar de indagada sobre a quem se referia, a candidata do PT não respondeu. "Você é que sabe", devolveu, abrindo um sorriso.

Dilma confundiu Honduras com El Salvador ao dizer que El Salvador sofreu um golpe de Estado, mas se corrigiu e pediu desculpas. No capítulo do programa de governo, ela também se manifestou contra a taxação sobre grandes fortunas - outro ponto que consta das diretrizes do PT para sua plataforma -, sob a alegação de que a medida é "inócua".

Dilma Rousseff (PT)

Às 9h, dará entrevista por telefone a rádio de Garanhuns (PE). À tarde, participa de sabatina do Portal R7 (SP).

José Serra (PSDB)

Cumpre agenda em Porto Alegre (RS) a partir das 14h.

Marina Silva (PV)

Compromissos em Nova York incluem encontro com correspondentes brasileiros, às 18h30.

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