Dilma negocia apoio de Geddel na Bahia

Candidata do PT à Presidência e ex-ministro tiveram ontem, em Brasília, encontro intermediado pelo deputado Michel Temer

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2010 | 00h00

Os governistas deflagraram ontem a Operação Bahia, para impedir que integrantes da base de apoio do presidente Lula no Estado troquem a campanha da petista Dilma Rousseff pela do tucano José Serra. Ontem, Dilma se reuniu de manhã com o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima (PMDB), derrotado na corrida pelo governo baiano, que ficou muito insatisfeito com a falta de apoio da ex-ministra e de Lula à sua campanha.

Hoje, Dilma deverá se reunir também com o senador baiano Cesar Borges (PR), que não foi reeleito e também ficou contrariado com a falta de apoio do governo federal.

Geddel foi levado ao encontro de ontem pelo presidente da Câmara e candidato a vice-presidente de Dilma, Michel Temer (PMDB-SP), que percebeu o risco de perder o aliado para campanha de Serra. Numa conversa na terça-feira, Temer viu que era real a possibilidade de Geddel deixar de lado o apoio dado a Dilma no primeiro turno e até passar a apoiar Serra, de quem é amigo, no segundo turno.

A queixa do ex-ministro para Temer foi a de que Dilma e Lula não mantiveram o acordo de manter dois palanques no Estado, dividindo igualmente seu apoio para ele e para o governador Jaques Wagner, do PT. Na reta final da campanha, esse apoio se concentrou em Wagner, líder das pesquisas, que venceu no primeiro turno.

Perto do dia da eleição, Dilma chegou a declarar que, como apenas Wagner tinha chances de se eleger, seu apoio passaria a se concentrar nele. Geddel não escondeu seu aborrecimento com a história.

Esse clima piorou depois que as urnas mostraram a vitória de Wagner, com Geddel chegando em terceiro lugar e com Cesar Borges perdendo a reeleição para Walter Pinheiro, do PT, e Lídice da Matta, do PSB. Geddel chegou a tirar de seu site as fotos que mantinha de Dilma.

Temer identificou que a possível dissidência poderia ter um elevado custo para Dilma no segundo turno baiano. Geddel terminou em terceiro lugar, mas conseguiu um patrimônio expressivo nas urnas, recebendo 1 milhão de votos na disputa (15,56% dos votos válidos). Borges somou até mais na corrida pelo Senado, recebendo 1,5 milhão de votos.

Depois de conversar com Geddel no dia anterior, Temer recebeu o sinal verde para acertar a conversa com Dilma. O encontro acabou acontecendo de manhã, no local onde a ex-ministra grava seus programas e praticamente pavimentou o caminho de acordo entre os dois lados, embora o ex-ministro tenha dito que precisa consultar as bases para saber que candidato apoiará.

Geddel mantém influência no Ministério da Integração Nacional, cujo titular, João Santana Filho, é seu afilhado político

Apesar disso, Geddel já ajudou Temer a abrir diálogo com Cesar Borges, que pretendia ocupar a tribuna do Senado para discursar contra o comportamento do governo em relação à sua campanha. Hoje, ele, Borges e Temer podem acertar a consolidação da Operação Bahia para tentar conter uma fuga de votos para a campanha tucana.

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