Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Dilma ordena faxina na Conab igual à do Dnit

Do presidente da estatal a assessores aparentados de políticos, todos deverão ser afastados do órgão

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2011 | 00h00

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) passará pela mesma faxina do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), determinou a presidente Dilma Rousseff. Significa que, do presidente da estatal aos assessores aparentados de políticos, todos serão afastados.

Há ainda um agravante em desfavor da Conab. Lá, o loteamento entre os partidos foi maior do que no Dnit. Toda a Conab foi dividida entre o PTB - que não tem um ministério, mas se contentou com a presidência da estatal, que está presente em todo o Brasil e tem orçamento de R$ 2,8 bilhões -, o PMDB e o PT. O Dnit havia sido loteado apenas entre o PR e o PT.

O primeiro a ser demitido foi Oscar Jucá Neto, que ocupava a diretoria financeira da Conab. Jucá, que é irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), determinou o pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa de silos de Goiás, mas a verba era destinada à compra de alimentos. Em represália pela demissão determinada pelo ministro da Agricultura, ele acusou Wagner Rossi de corrupção. Rossi respondeu que as denúncias eram uma vingança.

Na segunda-feira, a Controladoria-Geral da União (CGU) apreendeu computadores da Agricultura, para estudar os arquivos de convênios e contratos. O ministro da CGU, Jorge Hage, afirmou que nenhum computador de Rossi está na lista dos apreendidos porque, segundo ele, não há suspeita contra o ministro. A presidente Dilma Rousseff defendeu Rossi por dois dias seguidos e determinou a faxina na Conab. De qualquer maneira, o ministro vai depor hoje no Senado.

Só técnicos. De acordo com informação de assessores da presidente Dilma Rousseff, todos os partidos já foram informados de que seus afilhados serão substituídos por técnicos. Na segunda-feira, a presidente conversou com o ministro da Agricultura. "Quero técnicos no lugar dos diretores", cobrou Dilma. "Para a Diretoria Jurídica você pode recorrer à Advocacia-Geral da União (AGU)", aconselhou ela. A própria presidente avisou ao advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, que ele teria de ceder alguém para a Conab.

Rossi conversou ontem com Adams. O advogado-geral prometeu encontrar o mais rapidamente possível um jurista dos quadros da AGU para a Conab. Será uma solução parecida com a do Dnit, onde foi nomeado para a área jurídica Tarcísio Gomes de Freitas, ex-militar e auditor da CGU.

A limpeza na Conab será "profilática e geral", informou um auxiliar da presidente. Esse mesmo assessor disse que as análises sobre os nomes dos técnicos que deverão ir para a Conab estão sendo feitas diretamente por Dilma, a partir de listas entregues a ela pelo ministro Wagner Rossi. Ela tem insistido com Rossi: "É preciso zerar tudo para darmos o exemplo que de não dá para suportar nem indícios de corrupção".

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