Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE

Dilma pede ação para conter a crise

Presidente convoca reuniões e pede a aliados que trabalhem para evitar que crise envolvendo o ministro Antonio Palocci paralise governo

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

Para retirar o governo da inércia provocada pela crise que atingiu o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a presidente Dilma Rousseff desencadeou ontem uma operação para tentar mostrar que o governo "está trabalhando" e não foi contaminado pelas denúncias.

Em reuniões com ministros representantes de todos os partidos da base aliada e líderes do Congresso, Dilma pediu unidade em torno da proposta do governo na votação do Código Florestal e pressa na conclusão do Plano Brasil Sem Miséria. A ideia é apresentar uma agenda positiva para se contrapor ao noticiário desfavorável.

Enquanto isso, o governo ganha tempo para que Palocci apresente as explicações solicitadas pela Procuradoria-Geral da República. Segundo interlocutores, Dilma disse esperar que elas sejam claras e suficientes. A ausência de fatos novos no noticiário ontem foi comemorada dentro do governo.

Um dos "três porquinhos" que comandaram a campanha presidencial de Dilma, Palocci enriqueceu em 2010, após a eleição. O governo teme que, se o ministro for atingido, o mandato da presidente também possa ser abalado.

Embora Dilma continue afirmando que mantém confiança no ministro-chefe da Casa Civil, é fato que "a realidade mudou", como observou um de seus auxiliares. Outro interlocutor, no entanto, ressaltou que a presidente "não é autista" e está acompanhando atentamente todas as movimentações que acontecem no campo político em decorrência da crise que envolve Palocci. Por isso, a presidente espera que as explicações do ministro da Casa Civil sejam logo apresentadas e a Procuradoria-Geral da República, que a princípio não queria se estender no caso, não peça mais nada e encerre a questão, como fez a Comissão de Ética Pública. Com isso, acredita que esse período de turbulência seja enfim superado.

Para evitar que as explicações à procuradoria - ou mesmo a falta delas - produzam desdobramentos no Congresso, Dilma quer que os ministros políticos de seu governo mobilizem suas bancadas.

Espaço. Com Palocci na berlinda, o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, acabou assumindo missões habitualmente tocadas pela Casa Civil desde o início do governo e até ganhou mais espaço com a presidente. E isso apesar de, na semana passada, ter ficado sob a mira do Planalto, quando sua subchefia parlamentar enviou para todos os deputados e senadores uma carta em Palocci tentava justificar seus ganhos, comparando-se a ex-ministros de governos anteriores. O documento era para ser reservado e sua divulgação acabou ampliando a crise.

Esta semana o governo vai ter um primeiro termômetro dos estragos provocados pelo escândalo Palocci, já que uma pesquisa interna elaborada pela equipe do publicitário João Santana deverá ficar pronta.

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