Dilma pode iniciar pela Petrobrás escalação de time feminino no governo

Amiga da presidente eleita e atual diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Foster pode ser remanejada para a presidência da empresa

Vera Rosa, Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2010 | 00h00

Com estilo de trabalho semelhante ao de Dilma Rousseff, a diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster, deve ter papel de destaque no novo governo. Se não precisar ceder a vaga para acomodação política, Dilma poderá remanejar Graça, como é conhecida, para a presidência da Petrobrás.

O comando da estatal, atualmente, está com José Sérgio Gabrielli (PT), mas a presidente eleita já teve vários embates com ele. Considerada a joia da coroa, a Petrobrás tem orçamento maior do que muito ministério, com previsão de investimentos na casa dos R$ 91,3 bilhões para 2011.

Dilma também estuda a possibilidade de levar Graça para perto dela, no Palácio do Planalto. Na bolsa de apostas, o nome da engenheira química é cotado para a Casa Civil, ministério-latifúndio que será reformulado, perdendo funções executivas. Por enquanto, porém, Dilma prefere que a ascensão da amiga seja na própria Petrobrás.

Primeira mulher a integrar a diretoria executiva da estatal, Graça é vista como "gerentona" eficiente e "caxias", que trabalha mais de 12 horas por dia. Mas não tem perfil político.

A presidente eleita é tão amiga de Graça que sai para jantar com ela quase toda vez que vai ao Rio. As duas se conheceram em 1999 e ficaram mais próximas quando Dilma era ministra de Minas e Energia e, depois, da Casa Civil.

Foi o presidente Lula quem pediu para sua herdeira levar um time feminino ao governo. Será um gesto simbólico para mostrar que elas podem "chegar lá". No primeiro discurso, na noite da eleição, Dilma sinalizou que seguirá a recomendação e tratou o assunto como "compromisso".

"Já registro aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural", disse a presidente eleita no domingo. "A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: sim, a mulher pode!", acrescentou Dilma.

Ajudantes de ordens. A posse da primeira mulher presidente do Brasil marcará uma mudança nos ritos e costumes da República. Dilma terá quatro ajudantes de ordens, todas mulheres. A chefe será uma comandante da Marinha. Suas subordinadas serão das três Forças Armadas.

O esquema de segurança também sofrerá adaptações para abrigar o quadro feminino das Forças Armadas, da Polícia Federal e até da Polícia Militar. "O visual do governo vai mudar", brincou Lula.

Ele aconselhou Dilma a não puxar para a Esplanada nenhum dos aliados eleitos para o Senado, sob o argumento de que o governo precisará de pontas de lança na Casa. O grupo da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy, no entanto, faz de tudo para emplacá-la novamente na Esplanada.

Os discípulos de Marta, senadora eleita pelo PT de São Paulo, querem que ela vá para o Ministério das Cidades, um dos cargos mais cobiçados da equipe. O PP ocupa a cadeira e deseja mantê-la, o PMDB está de olho na vaga e no PT não há unanimidade em torno de Marta.

Dilma ainda não bateu o martelo sobre a escalação feminina. Mas dá sinais de que pretende prestigiar algumas das atuais colaboradoras do governo, como as gaúchas Tereza Campello, assessora especial da Casa Civil, e Alexandra Reschke, secretária de Patrimônio da União.

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