Dilma pode repetir Pitta, sugere Serra

Tucano compara escolha de candidata petista por Lula ao caso de Maluf, que ''fabricou'' sucessor na prefeitura e enfrentou duro desgaste

Silvia Amorim, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2010 | 00h00

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, usou ontem o caso do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, sucessor de Paulo Maluf, para defender a tese de que nem sempre o candidato de um governante bem avaliado consegue repetir o feito do antecessor.

Sem citar nomes, o tucano fez indiretamente uma comparação entre o exemplo paulistano e a situação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenciável petista, Dilma Rousseff. "Você lembra o que aconteceu em São Paulo com Maluf e Pitta? O Maluf estava bem avaliado e bancou o Pitta. O Pitta foi diferente do Maluf, ou não foi? Quer dizer não necessariamente o sucessor replica o antecessor mesmo que tivesse sido apoiado por ele. Pode acontecer e não acontecer", disse Serra, em entrevista ontem pela manhã à Rádio Bandeirantes em São Paulo.

O presidenciável tucano minimizou o poder de transferência de voto de Lula para a ex-ministra. "Acho que as pessoas decidem com relação ao futuro. O Lula não é candidato."

Serra voltou a dizer que nem Lula nem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso são candidatos nesta eleição e, portanto, vai discutir somente o que diz respeito a ele próprio. O PT tenta fazer deste pleito uma disputa plebiscitária entre o governo Lula e o de seu antecessor. "A gente sempre discute as coisas de quem é candidato. Ficar discutindo quem não é candidato não faz muito sentido."

Maturidade. O ex-governador cobrou "maturidade" nesta eleição e disse que não vai entrar em "bate-boca". A afirmação vem um dia depois de Lula ironizar o slogan da pré-candidatura do tucano - "O Brasil pode mais".

"Acho que tem de ter maturidade para discutir os problemas, fazer críticas quando for o caso, receber críticas como algo positivo, que permita avançar", afirmou. "Um debate de bom nível ajuda muito mais do que um bate-boca, que só atrapalha."

Serra fez a declaração sem citar adversários. Até evitou polemizar com o presidente, que disse anteontem que quando os tucanos governaram "não acreditaram que podia mais".

"Estou de acordo com o presidente Lula de que a gente sempre deve dar os créditos e levar em conta o que cada governo fez e que sempre é possível fazer mais", afirmou. "Eu reconheço as coisas que governos passados fizeram, aponto o que não fizeram, ou não fizeram no ritmo que o País necessita, e partimos para frente."

O ex-governador disse ainda que vai responder a críticas dos adversários quando se referirem a ele, mas não baixará o nível. "Uma coisa é responder. Eu respondo a tudo a meu respeito. Se diz coisa boa, ótimo. Se eu não concordar, eu respondo. Outra coisa é baixar o nível. Isso eu não vou fazer. Não é do meu estilo."

A primeira semana após as desincompatibilizações de Serra e Dilma foi marcada por troca de ataques entre petistas e tucanos. Serra permaneceu em silêncio, embora tenha sido criticado diretamente por Dilma em algumas ocasiões.

"Experiência". O tucano deixou o discurso ameno de lado e partiu para o ataque ao falar do desempenho da gestão Lula no setor das concessões de rodovias. Ele apontou falta de experiência dos petistas no assunto. "O governo federal também fez concessão igual e não funcionou, como é o caso da Regis Bittencourt e da Fernão Dias. Não funcionou porque não foi feita com muita experiência."

O presidenciável também criticou a atuação de Lula na condução da reforma tributária no Congresso. "A reforma tributária não avançou, não por causa de lobby dos governadores, mas porque o projeto do governo era a antirreforma tributária. Aumentava a carga tributária."

Após ter deixado o governo paulista com uma marca recorde de investimentos, Serra atacou o desempenho do governo federal nessa área. "O Brasil tem um dos níveis de investimentos mais baixos do mundo em infraestrutura."

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