Fábio Motta/AE
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Dilma promete ajuda no 'resgate e na reconstrução' das cidades serranas

'Moradia em área de risco no Brasil é a regra, não a exceção', afirmou a presidente no Rio

Estadão.com.br,

13 de janeiro de 2011 | 17h01

RIO - Em visita ao Rio, a presidente Dilma Rousseff prometeu ajuda do governo federal "no momento de resgate e de reconstrução" das cidades atingidas pelas chuvas na região serrana. "Vimos regiões onde as montanhas se dissolveram, sem presença do homem, sem nenhuma ocupação irregular. Mas vimos também regiões onde a ocupação irregular do solo provoca danos à vida e à saúde das pessoas", afirmou em entrevista coletiva, ao lado do governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB). " A reconstrução vai ser também um momento de prevenção", ressaltou. "A moradia em área de risco no Brasil é a regra, não a exceção."

 

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A presidente chegou ao Rio no fim da manhã junto com Cabral, que estava no exterior, e seis ministros. Ela sobrevoou as cidades atingidas pelas chuvas e desceu no campo de futebol do Friburguense, em Nova Friburgo. De galochas, foi à Rua Luis Spinelli e conversou com moradores. Foi nessa rua que um carro do Corpo de Bombeiros foi soterrado na manhã de ontem.

 

"É de fato um momento muito dramático. As cenas são muito fortes, é visível o sofrimento das pessoas. O risco é muito grande", afirmou Dilma. Ela destacou a "grande capacidade" de organização do governo estadual. Disse que o governo federal vai contribuir com "ações do Ministério da Integração e da Defesa, presença das Forças Armadas e do Ministério da Justiça."

 

"Temos de resgatar as pessoas e reestruturar as condições de vida nas regiões atingidas, permitindo que elas tenham acesso à remédios e tratamento", acrescentou a presidente, que prometeu ainda liberar recursos da forma "menos burocrática possível."

 

"É preciso lembrar que houve no Brasil um absoluto desleixo com o local onde ia morar a população de baixa renda. Sem alternativa, esta população foi morar em vala e encosta de morro", disse Dilma, que lembrou também a situação de outros Estados. "Em São Paulo, nas duas ações que tivemos em conjunto com o governo estadual, em Billings e Guarapiranga, pudemos remover pessoas para poder evitar o pior. Mas só podemos remover quando temos outro lugar para assentar estas pessoas."

 

A presidente também destacou que não dá para se minimizar a força da natureza neste momento, mas lembrou que é preciso agir para evitar o pior. "Não está certo que a gente diminua o efeito das chuvas, mas só não pode deixar morrer gente. Esta é a nossa missão", afirmou.

 

 

'Populismo'. Cabral voltou a culpar a ocupação irregular pela tragédia. "Lamentavelmente, o que tivemos na região serrana foi um problema muito semelhante ao que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, que é a desgraça do populismo. Deixaram a ocupação de áreas acontecerem como se fossem aliados dos mais pobres. A grande maioria atingida é de populares. Políticos oportunistas de plantão sempre se aproveitam para fazer defesa de ocupações irregulares", afirmou.

 

Pela manhã, em entrevista à Rádio CBN, o governador disse que o episódio foi uma "tragédia anunciada". "É como a gente viu ano passado em Angra dos Reis: a ocupação residencial nas últimas décadas, independente do nível social, numa área imprópria, combinada ao fator do deslizamento", declarou.

 

Quando Dilma foi questionada sobre a quantidade de recursos de prevenção a desastres liberada para o Estado nos últimos anos, Cabral respondeu: "O Rio recebeu nos últimos 4 anos não só a solidariedade como o apoio do governo federal. Não há uma reclamação sequer da nossa parte."

 

(Com Kelly Lima, de O Estado de S. Paulo)

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