Dilma: ''Querem ganhar no tapetão''

Para petista, acusações sobre envolvimento na violação de sigilo de tucanos ''são falsas'' e mostram que campanha de Serra ''está desesperada''

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2010 | 00h00

A candidata da PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem que a campanha de seu adversário José Serra (PSDB) está "desesperada porque a cada dia que passa perde o apoio do povo brasileiro" e que o concorrente quer "ganhar (a eleição) no tapetão", durante breve pronunciamento no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, antes de embarcar para Foz do Iguaçu (PR).

"Eles estão querendo ganhar no tapetão, mas não vão conseguir ganhar no tapetão", disse Dilma. "As acusações que eles fazem são falsas, levianas e não têm sustentação jurídica", ressaltou, referindo-se à atribuição do vazamento de dados fiscais ao PT, pelos tucanos.

"Ao tentar responsabilizar minha campanha por fatos ocorridos em setembro de 2009, quando não havia nem campanha e nem pré-campanha, nem candidatura, nem pré-candidatura, o que eles querem é virar a mesa da democracia", disparou, para avisar que o PT moverá ações judiciais contra Serra por uso de fato inverídico com finalidade eleitoral e crime contra a honra, e enviará representação à Procuradoria-Geral da República contra o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, por calúnia, injúria e difamação.

"Num processo democrático pode-se até perder uma eleição, mas não se pode perder a dignidade e começar a assacar contra pessoas e instituições", prosseguiu Dilma, para afirmar que "nem o povo brasileiro e nem a história do Brasil perdoam quem age dessa maneira".

Segundo a candidata, ela, mais do que ninguém, quer a apuração rigorosa e rápida do caso da violação dos dados fiscais. "É do meu interesse que se acabe com esses factoides sistemáticos que são levantados contra mim", disse. "Quem quer que elas (as apurações) fiquem nebulosas é a candidatura adversária, não a minha."

Insinuação. Dilma insinuou que o vazamento poderia estar ligado aos próprios adversários. "Que eu saiba, naquele momento havia outro tipo de disputa", disse, numa possível referência ao debate sobre quem seria o candidato do PSDB, José Serra ou Aécio Neves. Provocada a dizer se estava atribuindo a violação a aos tucanos, a petista desconversou.

A candidata comentou o pedido de cassação da sua candidatura feito pela coligação de Serra ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - negado ontem. "A gente não pode comprometer a estabilidade democrática do País porque está perdendo a eleição, nem tampouco subestimar a compreensão do povo brasileiro."

No mesmo tom, Dilma afirmou que "utilizar fatos para destruir uma instituição é muito perigoso" e defendeu que as pessoas responsáveis por irregularidades sejam punidas enquanto os órgãos de Estado, como o Banco Central, a Receita Federal e a Polícia Federal, devem ser respeitados porque garantem a credibilidade do País.

Questionada se agiria da mesma forma se a quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, ocorresse com sua filha Paula, Dilma reiterou que "todos os cidadãos têm que ser respeitados e não podem ter seu sigilo violado". A candidata disse defender a investigação com o mesmo rigor para todos. "Não é porque é filha de a, b ou c. É porque isso significa preservação da cidadania no Brasil."

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