Andre Lessa/AE
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Dilma refaz convite e Jobim ficará na Defesa

Primeiro contato foi feito por Antonio Palocci, mas eleita conversou com o ministro em seguida; indicação reflete o desejo do presidente Lula

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2010 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), vai permanecer no cargo no governo de Dilma Rousseff. O convite foi feito pela presidente eleita e aceito horas antes de Jobim aparecer em rede nacional chancelando o apoio das Forças Armadas no combate ao crime no Rio de Janeiro. Interlocutores de Dilma informaram que a conversa entre os dois foi "longa e boa".

Jobim já havia sido sondado para permanecer no cargo pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), um dos coordenadores da equipe de transição. Jobim havia questionado quais seriam as condições da permanência e Palocci foi evasivo. Coube a Dilma refazer o convite na sexta-feira.

A presidente eleita quer desidratar o Ministério da Defesa. Ela pretende criar uma pasta específica, com status de ministério, como revelou o Estado, para cuidar dos aeroportos. Essa função hoje é da Infraero, subordinada ao Ministério da Defesa.

A permanência de Jobim na Defesa era um desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os peemedebistas já avisaram que Jobim não será uma indicação partidária. No futuro governo, o PMDB espera ficar com pelo menos cinco pastas. Hoje, o partido comanda seis ministérios, além do Banco Central.

À medida que o xadrez político da Esplanada dos Ministérios avança, as lideranças de partidos aliados ficam inquietas sobre como se dá o "leilão". Os principais alvos de cobiça são os ministérios hoje comandados pelo PMDB e PP. As preocupações dos aliados cresceram depois que Dilma decidiu não manter nas pastas os mesmos aliados.

"Essa ideia de que cada um fica onde está não vinga. Esse é o primeiro ano do governo Dilma e ela está montando seu ministério", afirma o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Na arrumação da Esplanada, é o PMDB que corre o risco de perder mais espaço. As pastas das Comunicações e da Integração Nacional, hoje nas mãos de peemedebistas, poderão ficar com o PT e o PSB, respectivamente. Em contrapartida, o Ministério das Cidades, com o PP, poderá ir para o ex-governador Wellington Moreira Franco, do PMDB.

Enquanto os ministérios nas mãos de partidos aliados entram nas negociações, o mesmo não ocorre com as pastas comandadas por petistas. Segundo uma liderança do PMDB, Dilma e seus assessores "só falam em alta rotatividade em ministérios ocupados por aliados, e ninguém fala disso nos 17 ministérios do PT". Para a Previdência, por exemplo, Dilma cogita chamar o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT).

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