Dilma refuta 'rito sumário', evita duelo com PC do B e Orlando segue na pasta

Depois de quase uma hora e meia de conversa com a presidente Dilma Rousseff, o ministro do Esporte, Orlando Silva, deixou ontem à noite o Palácio do Planalto ainda no cargo. Sentindo-se pressionada pelo noticiário, preocupada em não afastar o PC do B da base aliada e irritada com declarações de um dirigente da Fifa que, na Suíça, tratara o ministro como demissionário, Dilma recuou da decisão de afastar Orlando da Esplanada.

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2011 | 03h02

Em entrevista logo depois do encontro, Orlando garantiu que a presidente lhe disse para continuar trabalhando e lhe recomendou "serenidade e paciência". "Manifestei para a presidente minha indignação, minha revolta com as acusações que tenho sofrido. E ela me sugeriu serenidade e muita paciência, mas reafirmou a confiança que tem no nosso trabalho", disse Orlando ao sair da reunião.

Em seguida, o Palácio do Planalto divulgou também uma nota em que a própria Dilma defendeu o ministro. "Não lutamos inutilmente para acabar com o arbítrio e não vamos aceitar que alguém seja condenado sumariamente", disse a presidente no texto, acrescentando que o governo não condena sem provas e parte do princípio da "presunção da inocência".

Dilma chamou o ministro para uma conversa no final da tarde de ontem, depois de um dia inteiro de expectativa e informações desencontradas sobre o futuro do Ministério do Esporte. Orlando chegou ao Palácio do Planalto por volta de 19h e ainda esperou que a presidente terminasse a agenda oficial do dia - um encontro com o empresário Eike Batista e o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que vieram tratar de investimentos em uma fábrica de tablets no Brasil.

"Foi um encontro para que eu esclarecesse todos os fatos, todas as acusações que tenho sofrido nos últimos dias. Dei detalhes, desmascarei todas as mentiras", afirmou Orlando.

"Informei de outras medidas judiciais que estudo para preservar a minha honra e a da minha família, porque é inaceitável para mim conviver com qualquer tipo de suspeição", completou ele na noite de ontem.

O ministro repetiu que havia pedido investigações à Polícia Federal e ao Ministério Público e aberto seus sigilos fiscal e bancário e votou a repetir ter recebido o apoio da presidente.

Questionado se continuava então no cargo, garantiu que sua saída nunca havia sido discutida nem no partido nem no Palácio do Planalto. "Não há nenhum tipo de discussão desse assunto. Até onde eu sei, só houve especulação, dúvidas em torno de publicações, mas a presidente se mostrou absolutamente tranquila, atenta a todas as explicações que fiz e confiante", afirmou.

O ministro ainda foi questionado sobre as declarações do Secretario Geral da Fifa, Jeróme Valcke, que disse, em entrevista ontem, que não esperava a presença do ministro na próxima reunião sobre a Copa do Mundo de 2014 (leia texto nesta página). "A relação da Fifa com o governo do Brasil é institucional. O governo tem seus interesses, a Fifa os seus, juntos, temos um objetivo comum. Não necessariamente vamos sempre pensar da mesma maneira. Eu continuo confiante, seguro, trabalhando em defesa do meu governo. As posições que defendo não são apenas do ministro, são do governo. O que nós dá tranquilidade na condução desse processo", disse.

Orlando passou o dia despachando normalmente no ministério. Evitou conversar com a imprensa durante todo o dia, mas investiu tempo para redigir uma longa nota, publicada no site do Esporte, com explicações sobre todas as denúncias que surgiram ao longo dessa semana.

Ao ser chamado por Dilma, chegou ao Planalto com o carro oficial, mas evitou a entrada principal. Visivelmente abatido, o ministro mostrava no rosto os efeitos da semana difícil. Ao final da entrevista concedida no Salão Nobre do Palácio do Planalto, era esperado pelo assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, de quem recebeu um forte abraço e palavras de apoio.

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