Dilma reúne base e pede que retome votações

Presidente promete a líderes liberar hoje R$ 150 milhões dos R$ 2,05 bi de emendas e restos a pagar

Tânia Monteiro e Andréa Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2011 | 00h00

Empenhada em pacificar a base no Congresso, a presidente Dilma Rousseff concluiu ontem mais uma rodada de negociações com os partidos aliados e pediu a retomada das votações na Câmara e Senado.

Para tanto, assegurou aos líderes do PTB, PP, PRB e PSC R$ 1 bilhão de emendas para os parlamentares e R$ 1,050 bilhão de restos a pagar, sendo que R$ 150 milhões deste total serão liberados até hoje.

A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, negocia com a área econômica, por determinação da presidente, o empenho das emendas e a intenção é que se chegue ao mesmo valor dos anos anteriores, ou seja, próximo a R$ 5 bilhões. Os parlamentares queriam R$ 7 bilhões, mas concordavam em receber entre 60% e 70% deste total.

A presidente Dilma prometeu aos líderes do PTB, PP, PRB e PSC, durante almoço no Planalto, a liberação de emendas para os parlamentares, sem especificar, no entanto, quanto e quando. "Agora temos folga fiscal", disse a presidente Dilma, ao anunciar a liberação dos recursos das emendas, conforme informou o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), após o encontro.

O deputado Jovair Arantes (PTB-GO), por sua vez, disse que a presidente sugeriu que os parlamentares tentassem "encaixar" as suas emendas nos programas de governo, para facilitar a liberação delas. Dilma teria reconhecido e prometido estudar uma fórmula para tentar fazer com que a emenda empenhada seja liberada no prazo de um ano.

"Não pode o País ficar devendo a uma prefeitura quatro ou cinco anos", declarou o deputado Jovair. "A União deve aos municípios R$ 3,7 bilhões de obras já concluídas e que os prefeitos não receberam os recursos", desabafou o deputado.

Na conversa, a presidente Dilma, segundo Jovair, agradeceu o apoio destes primeiros seis meses de governo e pediu "continuidade" neste apoio. Informou ainda que a ministra Ideli "está autorizada" a falar por ela. Ao tratar de corrupção, Dilma declarou, segundo Crivella, que "casos concretos de corrupção não terão nenhum respaldo do governo".

"Mãe Dilma". Quando Dilma fez um apelo para que os aliados mantivessem a base unida, ouviu deles que a base não é formada apenas de PT e PMDB, que representam as maiores bancadas no Congresso. Os participantes do almoço disseram à presidente que ela também tem de zelar pelos "pequenos aliados". Nesse ponto, um dos presentes perguntou quando a presidente iria "adotar" os menores partidos. "Já estão adotados", respondeu. "Então, podemos chamá-la de mãe Dilma?", brincou um parlamentar.

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