Dilma: 'Sabemos fazer e eles não'

Nno lançamento de Geddel Vieira (PMDB) ao governo da Bahia, ela reage a ataque tucano, dizendo que era 'os braços direito e esquerdo' de Lula

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

SALVADOR

Candidata petista à Presidência, a ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, rebateu ontem, em Salvador, as alegações de que não tem experiência administrativa suficiente para disputar o cargo. "A diferença é que nós sabemos fazer e eles (candidatos da oposição) não sabem", argumentou.

Em alusão ao slogan "O Brasil Pode Mais", do presidenciável do PSDB, José Serra, a candidata achou estranha a cobrança de experiência: "Nós somos diferentes daqueles que vão chegar prometendo fazer mais, porque eles não fizeram e nós fizemos."

Ela prosseguiu dizendo que era considerada "como os braços direito e esquerdo" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não houve um projeto do governo, no final do primeiro mandato e no segundo, que não tenha sido eu a coordenar", alegou. "Alguns não só coordenei, como elaborei ? como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Minha Casa, Minha Vida e o Luz Para Todos."

Ela definiu como "ótima" a experiência adquirida: "Fui secretária em Porto Alegre, duas vezes secretária do Rio Grande do Sul, ministra das Minas e Energia, presidente do conselho da Petrobrás de 2003 até sair do governo."

A oposição, segundo ela, "está fazendo confusão entre experiência administrativa e eleitoral. Não ter experiência eleitoral significa uma forma nova de fazer política, mas até lamento não ter experiência eleitoral". "Esse contato com o povo, no qual as pessoas te abraçam, é muito importante como retorno. Mas governar eu sei", acrescentou.

Acompanhada de seu candidato a v ice, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), Dilma esteve em Salvador para a convenção peemedebista, que lançou a candidatura do ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima ao governo baiano. O peemedebista vai disputar com o governador, Jaques Wagner (PT).

Primeiro Mundo. No evento, Dilma prometeu levar o Brasil ao chamado Primeiro Mundo, dando a entender que a situação brasileira é melhor do que a de alguns países europeus. "Estou vindo de uma viagem à Europa. Vocês sabem como estão a França, Espanha, Portugal e muitos países desenvolvidos?", perguntou à plateia, estimada em 5 mil pessoas. "Eles têm desemprego de 20%. O Brasil está numa posição completamente diferente."

Em sua avaliação, o País está perto de integrar o grupo das nações desenvolvidas. "Depois do governo Lula, temos oportunidade única de deixar de ser um país emergente para virar um país desenvolvido. Tiramos 24 milhões de brasileiros da pobreza, mas ainda temos brasileiros pobres."

Pelo menos duas vezes, em sua fala, Dilma cometeu imprecisões. A primeira foi ao se referir à dívida externa, quando não lembrou os números, desistiu e arrancou risos do público. Mais tarde, chamou de "Luiz Henrique" o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro. As gargalhadas voltaram, mas ela não percebeu e deixou o palanque sem fazer a correção.

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