Dilma sobe o tom das críticas contra tucano

Estilo 'centralizador' foi alvo da petista, enquanto Serra criticou o vaivém da adversária sobre o MST e outros temas

Malu Delgado, Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2010 | 00h00

Nos primeiros lances da disputa presidencial nas ruas, a candidata do PT, Dilma Rousseff, intensificou o tom dos ataques ao principal rival, o tucano José Serra, a quem veladamente chamou de presunçoso, em vez de seguir a estratégia de só comparar projetos de governos do PT e do PSDB.

A ofensiva é resposta a uma escalada de críticas diretas feitas pelo candidato do PSDB à petista nos últimos dias. Os candidatos, que participaram de agendas em horários simultâneos em São Paulo, sugerem que os ataques pessoais poderão dominar essa fase da campanha eleitoral.

"Quero ser a primeira mulher presidente do Brasil. Não sou daqueles que acham que são capazes de fazer tudo, daquele tipo orgulhoso, presunçoso, que acha que tudo sabe e tudo faz. Eu preciso de gente e de equipe", afirmou Dilma, em discurso na Praça da Sé, centro da capital paulista, quando criticou indiretamente o que considera estilo centralizador de Serra e começou a elucidar políticas para educação, saúde e segurança. Foi o primeiro ato oficial de campanha no Estado.

Reagindo às estocadas da petista, Serra afirmou que também precisa de equipe, mas tem ideias próprias. "Não saio de manhã um dia e o marqueteiro diz: "hoje você fala mal do MST", e no dia seguinte diz: "hoje você fala bem do MST". No outro dia: "hoje você defende juros siderais; amanhã defende redução de juros". Se vai de acordo com o comunicador, vai nessa toada", cutucou Serra, que chamou Dilma de "ventríloquo de marqueteiro".

Dando continuidade à estratégia petista de reforçar a campanha em São Paulo, maior reduto eleitoral do País e onde Serra apresenta vantagem segundo as mais recentes pesquisas de intenção de voto, a candidata disse se "identificar com o povo do Estado, um povo que acorda cedo, trabalha muito e corre atrás".

"Candidato tem de se mostrar como ele é, com atitudes e defeitos, para que as pessoas conheçam. As pessoas são candidatas, não são os comunicadores, nem o presidente Lula", refutou o tucano. Serra, que repetiu uma visita ontem a Campinas, disse que não precisa "marcar território", pois não é "cachorrinho".

Comparações. Dilma reiterou críticas ao PSDB. Disse que o Brasil de hoje é diferente do de 2002, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sucedeu ao tucano Fernando Henrique Cardoso.

A disputa em torno das políticas de transferência de renda permaneceu no discurso da petista. Ela rebateu a promessa de Serra de dobrar os beneficiários do Bolsa-Família. "Quando eles estiveram no governo, e podiam mais, eles fizeram menos."

Sobre saúde, a petista prometeu manter a redução de preço de remédios para hipertensos e diabéticos (o Farmácia Popular). O governo federal subsidia até 90% do valor dos remédios.

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