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Dilma tenta evitar execução de brasileiro preso na Indonésia

Marco Archer foi condenado por tráfico de cocaína; presidente e Lula já enviaram seis cartas pedindo clemência 

Tania Monteiro, O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2015 | 18h11

Atualizada às 23h34

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff tentou nesta quinta-feira, 15, falar por telefone com o presidente da Indonésia, Joko Widodo, para pedir a reversão da pena do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, condenado à morte por tráfico de cocaína. O governo brasileiro corre contra o relógio, já que a execução de Archer está marcada para sábado (no horário de Brasília) - no horário de Jacarta é domingo - e a conversa entre os dois presidentes teria de acontecer até esta sexta.

É a primeira vez que um brasileiro é executado para dar cumprimento a uma sentença desse tipo. O carioca Archer, de 53 anos, que trabalhava como instrutor de voo livre, foi condenado em 2004, após entrar na Indonésia com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta. 

A Anistia Internacional lançou nesta quinta uma ação para que todas as suas representações no mundo pressionem o governo indonésio a não realizar as seis execuções previstas para este fim de semana, entre elas a do brasileiro. Nesse tipo de ação, a organização convoca seus ativistas de todo o mundo a pressionar os governos a telefonar ou enviar e-mails às autoridades responsáveis pela ação.

Na internet, mais de 200 amigos de Archer se reuniram em um grupo do Facebook para pedir a libertação do brasileiro e articular ações contra a execução dele. De acordo com relatos da página, os integrantes do grupo estavam enviando e-mails para a Embaixada da Indonésia e para o Itamaraty pedindo clemência.

Rigor. Apesar dos esforços do governo brasileiro, que foram iniciados ainda pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e se intensificaram nos últimos dias pela presidente Dilma, há um temor de que o pedido do Planalto não seja atendido. Isso porque o novo presidente Widodo assumiu o cargo prometendo mais rigor e punição contra o tráfico de drogas. 

Há ainda outro motivo que dificultaria a negociação: mais cinco pessoas estão com ordem de execução por pelotão de fuzilamento nas próximas 72 horas, além do brasileiro. Até a noite desta quinta-feira, o contato entre os presidentes não havia sido feito. Dilma e Lula já enviaram seis cartas pedindo clemência e comutação da pena. A última carta da presidente foi enviada em dezembro, mas o governo indonésio não respondeu. O Planalto também não obteve resposta aos apelos feitos ao embaixador da Indonésia no Brasil, Toto Ryanto.

Em Jacarta, o caso está sendo acompanhado pela Embaixada do Brasil e pelo consulado. “As gestões são as de mais alto nível para tentar resolver a questão”, disse um assessor. Em nota, o Itamaraty informou que “o governo acompanha estreitamente o caso e avalia todas as possibilidades de ação ainda abertas”.

Outro caso. Archer não é o único brasileiro que poderá ser executado na Indonésia. O surfista Rodrigo Gularte foi preso em 2004, também no aeroporto de Jacarta, com 12 pacotes de cocaína. A droga estava escondida em oito pranchas. O surfista teve o pedido de clemência negado e aguarda a execução. / COLABOROU FABIANA CAMBRICOLI

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