Dilma usa ações do governo para contestar CPT

Ex-ministra nega aumento de conflitos no campo e afirma que Lula ''encaminhou paz [br]no campo''

Elder Ogliari, José Maria Tomazela, Chico Siqueira e João Naves de Oliveira, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, contestou ontem em Porto Alegre o estudo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), segundo o qual houve aumento dos conflitos agrários durante o atual governo. "Os dados não apontam nesse sentido", afirmou Dilma. "O governo Lula encaminhou as condições para a gente ter paz no campo."

A seguir passou a relatar números do governo no setor. Disse que houve assentamento de quase 600 mil famílias, foram elevados os financiamentos do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) de R$ 2 bilhões, no início da gestão, para R$ 5 bilhões na safra de 2009. Também citou o programa Mais Alimentos que financia tratores para a agricultura familiar e, ainda, o Luz para Todos, que leva energia elétrica ao campo.

"Isso permite afirmar que nós construímos as condições para encaminhar a paz no campo", insistiu. "Mas sabemos que os movimentos sociais funcionam pela cabeça deles."

Apesar da argumentação da petista, o estudo da CPT indica que a média anual de conflitos registrados entre 2003, quando Lula assumiu, e 2009 chegou a 929. O recorde anterior havia sido observado no governo Fernando Henrique Cardoso, com a média de 800 conflitos por ano.

Em Araçatuba (SP), a pré-candidata do PV à Presidência, senadora Marina Silva, disse que o MST deve respeitar o Estado de Direito em suas ações. "Considero legítima a luta que os sem-terra fazem pela reforma agrária, mas ela tem de ser feita dentro do Estado de Direito", afirmou.

Na avaliação de Marina, os conflitos só vão terminar com uma reforma no campo que agrade tanto aos sem-terra quanto aos fazendeiros. "Não vou aqui opor agronegócio a sem-terra, mas devo lembrar que as agressões ocorrem dos dois lados", disse, citando assassinatos de sindicalistas e líderes rurais que presenciou no Acre.

Ofensiva. O MST deu sequência ontem à ofensiva do "abril vermelho". O movimento ocupou ontem mais quatro agências do Banco do Brasil no interior de São Paulo. Foram invadidas, e desocupadas no mesmo dia, as agências de São José dos Campos, Sorocaba, Ilha Solteira e Andradina. O movimento informou ter mobilizado cerca de 600 militantes nas ações. Em Sorocaba, 140 sem-terra chegaram em dois ônibus alugados e ocuparam, às 10 horas, a agência regional do banco, na Rua 15 de Novembro, centro da cidade. A Polícia Militar deslocou homens em seis viaturas para acompanhar a mobilização. O atendimento bancário ficou prejudicado.

De acordo com Joaquim Modesto da Silva, da coordenação estadual, o movimento reivindica a anistia das dívidas dos assentados e a abertura de novas linhas de crédito para financiar a produção nos lotes. Também quer mais rapidez na reforma agrária, com a destinação de áreas já consideradas improdutivas para assentamentos. As mesmas razões foram invocadas para a invasão as agências nas outras cidades.

Em Batayporã (MS), quase 300 famílias de sem-terra invadiram a Fazenda Primavera, em Batayporã. A área, de 3 mil hectares, foi invadida por seis vezes nos últimos cinco anos. "A fazenda é produtiva. Não estou entendendo essa invasão", criticou o proprietário, Antônio Carlos Cotrim de Moura Andrade. O Incra confirmou a informação do fazendeiro.

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