''Dilma vai compor um governo com seu perfil'', diz Padilha

Presidente eleita deve dar continuidade política ao atual governo, mas 'não necessariamente com as mesmas pessoas'

Fabio Graner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2010 | 00h00

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse ontem que nenhum ministro e nenhum partido são donos dos ministérios que ocupam atualmente.

Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, da NBR TV, Padilha enfatizou que a presidente eleita Dilma Rousseff tem a prerrogativa de indicar os nomes para compor seu ministério, mas também ponderou que ela o fará respeitando a coalizão que venceu o último pleito.

"Com certeza, o governo Dilma é de continuidade política do atual governo, mas não necessariamente com as mesmas pessoas", disse Padilha. "A presidente vai compor um governo com seu perfil. A única senha que ela deu é que ela quer mais mulheres compondo o ministério", acrescentou o ministro, destacando que ela vai tomar posse em janeiro com o ministério definido.

O ministro disse ainda que nessa semana o presidente do PT e coordenador da transição de governo na área política, José Eduardo Dutra, travou uma série de conversas com os partidos e seus líderes que compõem a coalizão para tratar da composição de governo e deve apresentar na semana que vem o conteúdo dessas tratativas.

Rédeas. Em relação especificamente ao PMDB, maior partido da coalizão, Padilha disse que Dilma vai conduzir a relação com a mesma tranquilidade do governo Lula e também da campanha dela. "Muitos falavam que não seria possível administrar uma coalizão tão grande na campanha e não foi isso que ocorreu. Certamente a presidente eleita Dilma vai conseguir conduzir sua coalizão", afirmou o ministro.

Padilha também defendeu que haja um diálogo positivo do governo com a oposição para aprovação de projetos de interesse do País. Apesar de destacar que o novo governo terá maioria na Câmara e no Senado, "o que é bom para a democracia", ele avalia que, passada a eleição, a hora é de oposição e governo dialogarem. "Há muitos desafios para o País, como aumentar os investimentos. Por isso, é importante o diálogo", disse o ministro, que também garantiu que a relação do governo Dilma com os Estados governados pela oposição será republicana e ninguém ficará sem recursos para investimentos que beneficiem a população.

O ministro disse ainda estar confiante de que o Orçamento de 2011 será aprovado até dezembro. E também afirmou que o governo vai negociar um aumento do salário mínimo que permita a continuidade da valorização do piso do país, mas que possa ser pago pelos governos federal, estadual e municipal. Ele salientou que a aprovação do Orçamento de 2011 é a grande prioridade do governo na agenda legislativa desse final de ano.

Outro tema importante, segundo ele, é a conclusão do projeto que regulamenta a exploração do petróleo no pré-sal. Em relação ao salário mínimo, Padilha disse que as centrais sindicais querem uma "antecipação" do reajuste que ocorreria só em 2012. Segundo ele, o governo aceita negociar, mas uma definição será tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em acordo com a presidente eleita Dilma Rousseff.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.