Pablo Valadares/AE
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Dilma: ''Vamos apurar e ter calma''

Presidente do PT afirma que, confirmado o ilícito, analista deve ser expulso do partido

Fabio Graner e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2010 | 00h00

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, admitiu ontem que "causa constrangimento" o fato de pertencer ao partido o analista tributário Gilberto Souza Amarante - que acessou os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, numa agência da Receita Federal da cidade de Formiga, no interior de Minas Gerais. Na mesma entrevista, em Brasília, a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou que "não é possível conviver com vazamentos", mas preferiu cautela: "Vamos apurar e ter calma."

Dilma se dividiu entre cobranças e cuidados. Ao mesmo tempo em que tentava baixar o tom, admitia que "não se pode tratar questão de vazamento de forma leviana" e que "há que se punir, caso se detecte algum malfeito".

Dutra avisou também, no encontro, que, se confirmado o ilícito, Amarante será expulso do partido. Ele destacou que as informações passadas pelo presidente do PT de Minas, Reginaldo Lopes, indicam que Amarante é, de fato, filiado ao PT. "Ele é analista da Receita. Em se comprovando que houve acesso imotivado, além de responder a processo na Receita ele será objeto de um processo de ética do partido, porque o PT não concorda com esse tipo de prática, que se choca frontalmente com nossos estatutos e nosso código de ética." E se comprovado que ele acessou os dados do dirigente tucano de forma imotivada, será excluído dos quadros do PT".

"Nenhuma relação". Tanto Dilma quanto Dutra desvincularam o episódio de Minas do processo eleitoral. "Não tem nenhuma relação com a campanha. Nenhum de nós o conhece, nem os dirigentes do PT de Arcos. E estamos aguardando mais informações a respeito de quem é o Gilberto", comentou Dutra.

Lembrando que o PT tem 1,2 milhão de filiados, Dutra já previu a reação dos adversários na disputa presidencial: "É claro que a oposição vai fazer mais um estardalhaço. Mas o que temos mostrado é que isso não tem vinculação com a campanha."

Dilma também desvinculou o episódio da disputa eleitoral, ressaltando que as violações em Formiga ocorreram em abril de 2009, antes que as candidaturas do governo e da oposição estivessem formalizadas.

A candidata disse considerar fundamental que a Receita aprimore seus controles para evitar violações. Situações como essa "não podem ser encaradas com naturalidade", prosseguiu, pois "são dados fiscais de milhões de brasileiros".

Ela disse ainda entender e acreditar que a Receita Federal "pode ter falhas". Nem por isso, no entanto, a instituição pode ser vista como um órgão fragilizado. "Se pessoas erraram, foram pessoas e não a instituição. E é preciso cuidado para não cometer injustiças", advertiu.

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