Dilma volta a negar reunião com Lina Vieira

Técnico diz, em conversa com revista, que tem filme da visita da ex-chefe do Fisco na qual teria sido discutido fim da investigação sobre a família Sarney

Tiago Décimo, enviado especial em Itabuna, Paulo Reis Aruca, especial para o Estado de Jales, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

Questionada ontem sobre a revelação do técnico de informática Demetrius Sampaio Felinto de que teria cópia das imagens que comprovariam suposta reunião entre ela e a ex-secretária da Receita Lina Vieira em 2008, gravada no circuito interno de TV do Palácio do Planalto, a presidenciável Dilma Rousseff (PT) voltou a negar o fato.

"Afirmo que tive reuniões com ela (Lina Vieira), e que não foram a que ela relatou", disse. O relato do técnico foi publicado na revista Veja desta semana. Segundo a reportagem, Felinto diz que teria feito cópia da fita e que tentou negociar tanto sua divulgação quanto seu sigilo - e chegou a pedir "compensações" à revista para contar o que sabe. A Veja informa que se negou a pagar e que, após ele ter feito contato com o comitê de Dilma, foi contratado por empresa que presta serviços ao Senado.

O técnico relatou que vinha há sete meses negociando com o comitê de campanha do PT a não divulgação das imagens. A ex-ministra, que se reuniu ontem com lideranças políticas em Jales, interior paulista, levantou dúvidas sobre o teor da reportagem. "Não tive acesso ainda à reportagem (da revista) e não acredito nisto."

A reunião entre Dilma e Lina Vieira teria ocorrido em 9 de outubro de 2008. O assunto veio à tona em agosto do ano passado, quando a própria ex-secretária confirmou o encontro. Lina afirmara que foi chamada para reunião "sigilosa" com a então ministra da Casa Civil e que, na ocasião, lhe fora feito um pedido para encerrar investigações na Receita Federal que envolviam a família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB).

Na época, Dilma reagiu: "Encontrei a secretária da Receita várias vezes e estivemos juntas em grandes reuniões, com outras pessoas. Essa reunião privada a que ela se refere eu não tive." Diante da polêmica, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência havia afirmado que as fitas com imagens de acesso ao Planalto foram apagadas.

Reação tucana. O presidente nacional do PSDB e coordenador da campanha de José Serra, senador Sérgio Guerra (PE), considerou graves as afirmações do técnico. "A versão da Dilma para este episódio nunca nos convenceu. Agora, está caindo por terra."

Guerra disse que o PSDB deve propor uma reunião com líderes oposicionistas no Congresso para avaliar a possibilidade de parlamentares solicitarem alguma investigação sobre o caso.

Em Ilhéus (BA), Serra evitou comentários sobre o suposto encontro de Dilma e Lina Vieira. "Hoje, aqui em Ilhéus, não tem tititi", afirmou. O candidato do PSDB concentrou-se em comentários sobre questões da Bahia e prometeu "resolver, em cinco anos, o problema do cacau".

Dois pesos. Dilma disse ontem que a Justiça Eleitoral "usa dois pesos e duas medidas" ao analisar ações de sua campanha eleitoral e as de Serra. Referiu-se à intenção da vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, de representar contra o presidente Lula por ter citado o nome da petista no lançamento do edital do trem-bala, em Brasília. O PT alega que o governador Alberto Goldman procede da mesma maneira ao citar Serra em eventos oficiais.

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