''Dilmistas'' terão mais tempo na TV

Conquista de mais cadeiras na Câmara dará a partidos aliados ao governo maior exposição na propaganda eleitoral em 2012 e 2014

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2010 | 00h00

Nas batalhas eleitorais de 2012 e 2014, os partidos da base do futuro governo sairão em vantagem: quase todos ganharam vagas na Câmara dos Deputados e, com isso, mais tempo na propaganda eleitoral de rádio e televisão.

As legendas que estiveram coligadas na campanha da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), ganharam, em conjunto, 14% a mais de tempo com o resultado da eleição para a Câmara. Já os partidos que apoiaram José Serra (PSDB) tiveram, juntos, uma perda de 24%, segundo cálculos feitos pelo Estado.

O cálculo se refere à parte do horário eleitoral (dois terços do total de 50 minutos por dia) que é dividida de acordo com o tamanho das bancadas de cada partido na Câmara. Outra parte é distribuída de forma igualitária entre todas as legendas que lançam candidatos.

O tempo maior no rádio e na televisão não significa apenas vantagem no horário fixo de propaganda eleitoral: também as inserções de 30 segundos, distribuídas ao longo da programação das emissoras, são definidas de acordo com o tamanho das bancadas, além do número de candidatos.

Por alcançar até mesmo os eleitores que evitam assistir ao horário eleitoral, as inserções são consideradas as peças mais eficazes do marketing político.

Mesmo partidos que não costumam lançar candidatos a cargos executivos têm interesse direto no rateio da propaganda - seu tempo de TV é o principal ativo na negociação de coligações, pois pode ser repassado para terceiros.

Na última eleição, pequenas legendas protagonizaram um "leilão" de seu tempo na propaganda. O PSC, que chegou a aprovar o apoio a Serra em convenção, mudou de lado após assédio de governistas. Com isso, Dilma ganhou 35 segundos por dia.

Sobe e desce. O PT, cuja bancada cresceu de 83 para 88 deputados entre 2006 e 2010, ultrapassou o PMDB e terá o maior tempo no horário fixo de propaganda. Serão 5 minutos e 43 segundos por dia, 20 segundos a mais do que na eleição passada.

O PR, outro partido integrante da base governista, teve o maior ganho entre as 22 legendas com representação na Câmara: passou de 1min37s para 2min39s, graças a sua estratégia de lançar "puxadores de votos" em diversos Estados.

Na base dilmista, o PMDB foi o único partido que perdeu cacife no chamado palanque eletrônico: terá 39 segundos a menos do que na campanha passada.

Dos antigos aliados de José Serra (PSDB) na campanha presidencial, somente dois "nanicos" tiveram ganhos: o PT do B (que passará de 3 para 11 segundos) e o PMN (de 11 para 15 segundos). O partido de Serra terá direito a 3min26s, 51 segundos a menos do que em 2010.

Mas foi o DEM quem protagonizou o maior tombo: caiu de 4min13s para 2min47s.

É com esses tempos de exposição que os partidos enfrentarão o próximo teste eleitoral, daqui a dois anos, quando estarão em jogo as prefeituras dos 5.565 municípios do País. Em 2014, quando haverá eleições para a Presidência, os governos estaduais, o Congresso e as assembleias legislativas, o cacife de cada partido será o mesmo, ainda que eles mudem de tamanho até lá.

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