Diminui impacto da lei seca nos acidentes nas rodovias

Número de mortes caiu 8% no trimestre; nos 2 primeiros meses da lei, a redução havia sido de 13,6%

Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo,

22 de setembro de 2008 | 23h54

O impacto da lei seca sobre a violência no trânsito caiu. Balanço divulgado nesta segunda, 22, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que a tendência de queda nos índices de acidentes fatais em setembro foi menor do que a registrada nos dois primeiros meses da legislação, que entrou em vigor no dia 20 de junho deste ano. No primeiro bimestre de vigência, a redução do número de acidentes com mortes foi de 13,6%, quando comparada ao mesmo período de 2007. Quando se analisa o trimestre, porém, a redução foi menos animadora: 8%. Veja tambémEm 3 meses, 10 mil vítimas a menos nos hospitais   Enquete: você parou de beber e dirigir por causa da lei seca? Os efeitos do álcool e os limites da lei seca   A lei seca, em números   Os números violência do trânsito de SP   Para o chefe da Divisão de Multas da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Jerry Adriane Dias Rodrigues, os índices refletem a queda da fiscalização, principalmente nas cidades. "Grande parte dos pequenos municípios não tem estrutura para vigiar todos os motoristas, o tempo todo", observa Dias Rodrigues. Ele reconhece que, quanto menor a fiscalização, maior o risco de a população desconsiderar a lei seca. "Embora os ganhos no primeiro bimestre tenham sido significativos, há sempre a tendência de a pessoa retomar antigos comportamentos. Até que o novo hábito esteja incorporado, é preciso garantir a fiscalização", destaca.  Apesar da proibição da venda de bebidas alcoólicas nas rodovias federais, Dias Rodrigues observa que boa parte dos motoristas pega a estrada já sob efeito do álcool. "Eles bebem antes de viajar, ainda nas cidades." Por isso, diz, é indispensável reforço da fiscalização, sobretudo nos pequenos municípios do País.  Em outros registros, houve aumento do número de casos. A quantidade de acidentes sem vítimas, por exemplo, cresceu 12,4% e a de feridos, 0,9%. Dias Rodrigues, porém, acha que esse índice poderia ter sido maior sem a lei. "A frota brasileira aumenta de forma significativa. Além disso, já havia uma tendência do aumento do número de feridos." Fiscalização Outros indicadores, divulgados ontem pela PRF, apresentaram um desempenho melhor do que no ano passado. O número de pessoas socorridas no trânsito, por exemplo, caiu 4,9% no trimestre em relação ao mesmo período de 2007. O número geral de mortes, incluindo atropelamentos, também caiu: 6,1%. "A idéia é criar um sistema em que grupos (de fiscalização) fiquem em locais onde há maior consumo de bebidas", afirma Dias Rodrigues.

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