Dinares apreendidos em Bangu 1 não valem um sanduíche

Os 10.000 dinares apreendidos no presídio de segurança máxima Bangu 1 não são suficientes para se comprar um sanduíche no Iraque. A informação é do primeiro-secretário e encarregado de negócios da Embaixada do Iraque, em Brasília, Hashim Ibrahim Hashim. Para o diplomata, a divulgação que se deu ao caso foi exagerada.Hashim explicou ainda que a moeda iraquiana só tem valor no seu país. O dinar, quando circula fora do Iraque, é considerado contrabandeado ou falsificado. O dinheiro não pode sair do país nem ser repatriado, segundo o diplomata. A polícia havia divulgado que a quantia encontrada em Bangu 1 era equivalente a R$ 10 mil e que estava sendo investigada a hipótese de o dinheiro ser usado na compra de armas iraquianas pela quadrilha de Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê.O dinheiro foi encontrado no último dia 5, dentro de uma bolsa deixada pelo advogado Artur Lourenço da Silva Neto, que representa Uê e os traficantes Wanderley Soares, o Orelha, e Carlos Roberto Cabral da Silva, o Robertinho do Morro do Adeus. Silva Neto deixou uma bolsa do tipo necessáire no escaninho da sala de visitas e esqueceu de pegá-la. Ali dentro a polícia encontrou 40 notas de 250 dinares.O delegado Irineu Barroso, que investiga o caso, ficou surpreso ao ser informado que o dinheiro quase não tem valor no Iraque. Ele estava investigando ainda a possibilidade de a quantia encontrada em Bangu se tratar de evasão de divisas. Ele disse que enviará as notas para a Casa da Moeda, a fim de atestar a veracidade delas. Mas não informou que novo rumo dará às investigações."Esse advogado precisa aparecer para esclarecer essa situação", afirmou Barroso. Hoje o delegado esteve em dois supostos escritórios de Silva Neto e na casa dele, mas não encontrou ninguém.

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