Dinheiro de assalto a banco em Botucatu financiaria ações do PCC

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) esperava obter pelo menos R$ 4 milhões no assalto a uma agência do Bradesco, em Botucatu, a 238 km de São Paulo, que acabou frustrado pela Polícia Civil, na sexta-feira. Parte do dinheiro seria usada para financiar a compra de armas e, possivelmente, o resgate de presos na Baixada Santista. O bando planejou cuidadosamente o assalto, mas subestimou a capacidade da polícia de impedir a ação. Mesmo com a prisão de dois integrantes da quadrilha dias antes, a ação não foi abortada. "Estavam tão confiantes que nem ligaram quando um cão latiu e alertou para a nossa presença no local do esconderijo", disse o delegado Celso Olindo, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Os 21 policiais cercaram a chácara alugada pelo bando, um pesque-pague, às 4 hs da manhã. "Estávamos todos vestidos com roupas pretas e tivemos que rastejar para se aproximar da casa, pois era campo aberto." Foi quando o cão de guarda dos bandidos latiu. Um homem abriu a janela, inspecionou o escuro e voltou a fechar. "Caiu uma chuva tremenda, todo mundo estava molhado", conta o delegado. O bando recebeu voz de prisão "em uníssono", segundo o delegado. Surpresos, os bandidos tentaram fugir. "Disparamos para o alto e depois tivemos de nos atracar com eles." Os 13 homens foram presos. Eles tinham um arsenal: duas submetralhadoras, 6 revólveres e 4 pistolas semi-automáticas, inclusive uma calibre 44, usada pelo Exército dos Estados Unidos. Também tiveram 5 carros apreendidos. O assalto, acredita o delegado, foi planejado pelo bandido Anderson Rodrigues, o Nenê, chefe do PCC na Baixada Santista. Ele é apontado como responsável pelo incêndio de ônibus e outros ataques da facção no litoral. Com prisão preventiva decretada, Nenê foi preso numa blitz em Santos, mas já tinha acertado com seus homens a operação em Botucatu. Dez dos presos eram da Baixada. Uma semana antes, a polícia já prendera um enviado de Nenê, Gerson da Cruz Pinho, o Grilo. "Ele era foragido do presídio de Mongaguá, por isso o bando não desconfiou." Os bandidos chegaram às 3h30 para a ação, que seria realizada entre 16 e 17 horas daquele dia. O alvo seria a agência do Bradesco, localizada na Rua Amando de Barros, a mais movimentada da cidade, bem na região central. "Escolheram o Bradesco porque a agência não tem porta giratória com detector de metais." O banco nunca foi assaltado. Um dos bandidos entraria vestindo o uniforme da empresa de segurança do banco. Outro estaria vestindo terno completo. As roupas foram apreendidas. "Eles sabiam que o gerente estaria na agência para ser obrigado a abrir o cofre." Nas conversas gravadas, eles falavam em muito dinheiro: "Vocês vão ficar uma cinco horas só contando as onças (notas de R$ 50)", diziam, na gravação. O dinheiro seria levado para o esconderijo.O tempo de percurso do banco ao pesque-pague foi cronometrado. O grupo planejava matar o dono do local após o assalto. "É uma equipe profissional", disse Olindo. Ele disse que as investigações vão continuar. "Queremos saber se há mais envolvidos e no que seria usado o dinheiro."

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