Dinheiro de resgate de empresário seria usado em fugas de presos

O dinheiro do resgate pedido pela quadrilha que seqüestrou o empresário José Fortes Reina, de 57 anos, libertado ontem pela polícia, seria usado para financiar fugas em cadeias do Estado e as oito bananas de dinamite encontradas no cativeiro seriam usadas contra alvos policiais e agências bancárias. Esta é a principal suspeita da polícia, que está investigando o caso.Segundo reportagem do jornal Bom Dia São Paulo, da TV Globo, o crime estaria relacionado ao seqüestro o repórter Guilherme Portanova e do auxiliar-técnico Alexandre Calado, no último sábado, 12. A Secretaria de Segurança Pública, porém, ainda não confirma a relação.Reina teve de esperar longas seis horas de negociação para ser libertado, sem ferimentos, no início da tarde de quarta-feira, 16. Em confronto entre seqüestradores e a polícia, um bandido foi baleado no rosto e morreu ao despencar da laje do sobrado que serviu de cativeiro, na Favela da Vila Clara, em Americanópolis, zona sul da capital.Reina foi seqüestrado na manhã de 18 de julho, no caminho para a sua construtora, em São Bernardo do Campo. Ele dirigia na Rua Sebastião Barbosa de Lima quando um carro o interceptou e fechou a passagem.Os seqüestradores armados o obrigaram a entrar em outro veículo. Reina foi então levado para a Favela da Vila Clara. "Começou aqui e acabou aqui", disse na quarta-feira, 16, muito abalado, à equipe da Rede Record, ao ser libertado.As negociações com os criminosos foram tensas. Após a morte de um dos seqüestradores, os demais exigiram a presença de uma emissora de televisão para libertar o empresário. A Polícia Militar, então, ligou para a Rede Record."Chegamos às 6h30 próximo ao cativeiro durante um patrulhamento de rotina. Fomos recebidos a balas. Havia cinco bandidos no local. Dois fugiram, um foi morto e dois continuaram na área. Quando descobrimos que no sobrado estava uma vítima de seqüestro, pedimos apoio", descreveu o sargento da Força Tática do 3º Batalhão, Denilson Machado.Mais de 30 viaturas da Polícia Militar e policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil (GOE) e Divisão Anti-Seqüestro (DAS) fizeram cerco na favela. A operação de resgate do empresário ainda contou com o helicóptero da Polícia Militar.Às 10h30, o delegado divisionário da DAS, Antônio de Olim, comandou as negociações com dois dos seqüestradores, Antônio Correia da Silva, 26, e um menor de 17. "Eu liberei a entrada da imprensa e também deixei eles ligarem para seus advogados como técnica de negociação. Eles deram a palavra que iriam libertar a vítima em troca das exigências e da integridade física deles", explicou o delegado.Os bandidos ainda queriam que a emissora transmitisse ao vivo a negociação. No entanto, o repórter avisou que no local não havia sinal para a transmissão.Somente às 12h06, Correia e o menor decidiram libertar Reina. Abatido e muito abalado, ele falou à equipe de reportagem com os olhos cheios d´água: "É um grande alívio. Fui bem tratado. Pode avisar a minha família que está tudo bem."Em seguida, o empresário foi levado ao Hospital Nossa Senhora, no Jabaquara, zona sul, onde recebeu soro. Ele deixou o hospital às 14h30, acompanhado de parentes. Reina contou à polícia que passou por dois cativeiros durante o seqüestro. Permanecia a maior parte do tempo deitado em um colchão, onde recebia alimentação. ResgateOs seqüestradores exigiram da família do empresário R$ 4 milhões como pagamento de resgate, que não foram pagos. Para a polícia, a quadrilha de seqüestradores é articulada e pode ser formada por mais de dez homens, entre os líderes e olheiros - menores pagos para vigiar a vítima.O sobrado escolhido como cativeiro fica em um beco de difícil acesso da favela. "Dominado por traficantes, aqui é o local propício para um cativeiro. Por isso, os PMs que patrulhavam o local foram recebidos a tiros ao perceberem que se tratava de um seqüestro", explicou o sargento Denilson Machado, que trabalha na área.No cativeiro, a polícia apreendeu uma pistola, um revólver, uma faca, um carregador de metralhadora e oito bananas de dinamite. Os policiais suspeitam de que a dinamite poderia ser usada em ataques. (Carina Flosi)

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