Dinheiro de resgate de Patrícia saiu lacrado do flat, diz delegado

O dinheiro do resgate da estudante Patrícia Abravanel saiu em uma embalagem lacrada do flat L´Etoile em Barueri, só aberta no 91º DP diante de um funcionário do hotel, testemunha da apreensão. A explicação foi dada hoje pelo delegado Armando Roberto Bellio, titular da delegacia e responsável pela apreensão dos R$ 465 mil que estavam com o seqüestrador Fernando Dutra Pinto. O pai da estudante, Silvio Santos, pagou R$ 500 mil para libertar a filha."Não aceito nenhum tipo de insinuação em matéria de dinheiro", afirmou o delegado. Bellio contou como foi a operação frustrada para prender o seqüestrador, na qual dois investigadores morreram e outro, Reginaldo Guatura Nardes, acabou ferido. "Não me arrependo um milésimo do que fiz. A minha parte foi limpa. Não quero nem posso ser o bode expiatório. O que fiz teve um único objetivo: valorizar a Polícia Civil."Segundo afirmou, ele foi avisado por volta das 12 horas, por seus investigadores, que haviam sido encontradas armas e dinheiro no flat. "Quando cheguei havia camareira, policiais e outras pessoas no local." No quarto do seqüestrador, no 10º andar, o delegado viu "aquele dinheiro todo", fechou em sacos plásticos lacrados e pôs em uma bolsa. No térreo, fez outro lacre com folha de papel e fita adesiva. A folha foi assinada pelo funcionário do flat."Quis pôr o dinheiro no cofre, mas era pequeno demais. Por isso, levei para delegacia", relatou Bellio. No distrito, disse, a bolsa acabou colocada em um cofre e só foi retirada depois que o funcionário do flat chegou. "Ele atestou que a bolsa estava lacrada da forma como havia saído de lá." As armas do seqüestrador, porém, foram deixadas. "Deixei para prender em flagrante o dono."O restante do valor pago pelo resgate, R$ 35 mil, ainda não foi localizado pela polícia. A Delegacia Anti-Seqüestro (Deas) apura a possibilidade de o dinheiro ter sido deixado por Fernando com algum conhecido.Bellio afirmou que só teve certeza de que se tratava do seqüestrador de Silvio Santos às 16 horas daquele dia, quando recebeu um telefonema do delegado Wagner Giudice, da Deas. Uma hora antes, teria informado seu superior, o delegado Fernão, titular da 3ª Seccional, que lhe prometeu o envio de três investigadores como reforço. Eles e os homens da Deas só chegaram por volta das 18 horas ao flat. "Não sei por que demoraram tanto." Ele destacou que tudo o que fez estava amparado pelo fato de a lei permitir informar uma infração antes durante ou depois das diligências.Sobre as irregularidades administrativas que a Corregedoria da Polícia Civil afirma ter constatado, ele considerou que ainda não é hora para responder. "Eu não estava lá para verificar as medidas adotadas pelos investigadores."O delegado rebateu as declarações à corregedoria do seqüestrador. Fernando disse que ao chegar ao 10º andar encontrou sete policiais. Afirmou ter atirado duas vezes, mas negou ter acertado, dando a entender que os policiais teriam se matado. "Isso é estratégia da defesa para tumultuar as investigações." Na tarde de hoje, os delegados da corregedoria reuniram-se com o delegado do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que preside o inquérito sobre a morte dos investigadores.

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