Dinheiro roubado do BC está escondido no CE e no MA

A denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) ao juiz Danilo Fontenelle Sampaio, da 11ª Vara da Justiça Federal, no Ceará, aponta que R$ 12 milhões dos R$ 164,7 milhões furtados por meio de um túnel do Banco Central (BC) de Fortaleza, ano passado, estariam escondidos em Boa Viagem, no Ceará, e em Alto Alegre, no Maranhão. O MPF relata, a partir do depoimento colhido por policiais federais de um dos líderes da quadrilha, como o dinheiro foi retirado do cofre e traz ainda fatos inusitados como, por exemplo, a possível utilização de R$ 1 milhão para bancar o casamento de Amarildo Dias da Rocha, o "Polaco", que é parente de um dos ladrões e atuava como tesoureiro do grupo. A festa foi realizada no dia 26 de maio deste ano em Diadema, na Grande São Paulo. No evento estariam presentes as principais lideranças da quadrilha. De acordo com reportagem veiculada na edição de hoje do jornal cearense "O Povo", o advogado Eliseu Minichilo, o Doutor Paciência, que defende boa parte dos acusados, era um dos padrinhos. Também segundo o jornal o delegado Antonio Celso, responsável pelas interceptações, disse que o valor da festa ficou bem abaixo disso e que a alusão ao montante seria uma brincadeira. O documento do MPF traz trechos de conversas telefônicas interceptadas durante a Operação Facção Toupeira que prendeu, em setembro deste ano, elementos da quadrilha quando se preparavam para cavar dois novos túneis. Um deles seria usado para arrombar os cofres de dois bancos em Porto Alegre e o outro em Maceió. Entre os presos estava Raimundo Laurindo Barbosa Neto, que é primo de Antônio Jussivan Alves dos Santos, o Alemão, foragido, que é acusado de ser um dos cabeças da ação contra o BC. Capturado em Parnaíba, no Piauí, Neto é apontado pela PF como um dos poucos a entrar no cofre do BC. Ele também seria responsável pela guarda e lavagem de parte furto. Em um dos trechos da gravação feita pela PF, em julho deste ano, um dos irmãos de Neto, Joel, diz para a cunhada Liduína: "Vocês colocam as mãos nas coisas da gente e vem sempre pegar dinheiro". Inconformado, Joel ameaça retirar "o restante que tem lá e mais os R$ 12 milhões enterrados" e entregar tudo a ela e ao marido. Neto, que disse ser funileiro por profissão e mal sabe assinar o próprio nome, contou que, logo após a invasão do cofre, o dinheiro do BC foi acondicionado em sacos contendo R$ 500 mil em cada um. Na próxima semana, o juiz Sampaio começa a ouvir 23 acusados presos na Operação, quando a Polícia Federal (PF) só conseguiu localizar R$ 196 mil, na fazenda Pium, no Tocantins, de Neto, e R$ 450 mil, apreendidos em uma casa em Peruíbe, no litoral de São Paulo, pertencente a Jeovan Laurindo, irmão dele. Naquela época a PF do Ceará cumpriu mandado de busca em fazendas de Boa Viagem, mas nada foi encontrado.

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