Dinheiro roubado do BC pode estar financiando crimes no Sul

Parte dos R$ 167 milhões roubados do Banco Central em Fortaleza, em agosto do ano passado, pode estar financiando ações como assaltos a bancos e a veículos transportadores de valores no Sul do País. A Polícia Federal já tem pistas de que uma parcela do dinheiro chegou à quadrilha de José Carlos dos Santos, o Seco, foragido mais procurado do Rio Grande do Sul.Numa operação deflagrada na quinta-feira, os agentes conseguiram frustrar um plano de ataque a um carro-forte e prenderam o número dois do grupo, João Adão Ramos, o João das Couves, em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre.O delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal Ildo Gasparetto disse que os responsáveis pelo roubo de Fortaleza estão quase todos identificados. Mas, ao investigar o destino dado ao dinheiro, a polícia passou a ter indícios do financiamento a outras células do crime organizado. O próximo passo é esclarecer qual o vínculo que existe entre os grupos, informa o superintendente regional da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, José Francisco Mallmann.Do dinheiro levado do Banco Central, R$ 20 milhões já foram recuperados e outros R$ 20 milhões estão identificados em bens adquiridos pelos assaltantes, informou Gasparetto. Parte do restante pode estar no Uruguai, onde, no final do ano passado, policiais receberam informações de que um carregamento de dinheiro vivo havia circulado na fronteira.Segundo a Polícia Federal, a quadrilha gaúcha estaria recebendo dinheiro para alugar e comprar imóveis, automóveis e armas usadas nos ataques. No apartamento de João das Couves foram encontrados munição de fuzil, armas, coletes à prova de balas e dez cargas de explosivos e detonadores que, segundo Gasparetto, poderiam destruir o prédio de 27 apartamentos em poucos segundos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.