Diplomacia ideológica marcou gestão sob Lula

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

João Domingos / BRASÍLIA e Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2011 | 00h00

PERFIL

Celso Amorim, novo ministro da Defesa

Patrocinador de uma política externa ideológica com foco em países periféricos e filiado ao PT por inspiração do ex-presidente Lula, Celso Amorim colecionou polêmicas à frente das Relações Exteriores. Já na sua posse, nomeou o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ideólogo favorável ao viés antiamearicano na política exterior brasileira, como secretário-geral das Relações Exteriores, o segundo cargo da Casa.

No caso mais notório de sua gestão, meteu-se na questão nuclear do Irã, atraindo a censura dos países mais ricos. A insistência dele na negociação do Tratado de Teerã, em 2010, pelo qual o Irã se comprometeria com o Brasil e a Turquia a trocar urânio enriquecido por combustível nuclear, é considerada o maior equívoco de sua gestão no meio diplomático.

O acordo e a forma como deu-se publicidade ao texto arruinaram as relações com os EUA até março passado, quando o presidente americano, Barack Obama, visitou Dilma Rousseff em Brasília.

Ministro dos governos Itamar Franco (1992-94) e Lula (2003-10), o chanceler foi responsável pelo direcionamento da política externa brasileira ao Oriente Médio, à América do Sul, à África e a demais nações emergentes. Alinhavou a cooperação sistemática do Brasil com a África do Sul e a Índia (Ibas) e foi astuto para trabalhar a criação do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), a partir de um acrônimo do Goldman Sachs para se referir aos emergentes. Também estreitou laços diplomáticos com Cuba, Síria, Líbia e Irã.

Amorim liderou o boicote dos países da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao governo de Roberto Michelletti, que assumiu a presidência de Honduras em 2009, depois de um golpe militar que derrubou o presidente eleito Manuel Zelaya. Como resultado das negociações de Amorim, a OEA excluiu Honduras do grupo de países americanos.

Ele foi também importante articulador na formulação de grupos como o G-20, na frente multilateral contra o protecionismo comercial dos EUA e da Europa e na tentativa de reformular a Organização das Nações Unidas. Durante sua gestão, o Brasil enfrentou algumas crises com seus vizinhos, como a Bolívia e o Equador. Em 2006, o presidente boliviano, Evo Morales, anunciou a nacionalização do gás e do petróleo. O exército do vizinho ocupou as empresas estrangeiras, entre elas a Petrobrás, que explorava os dois principais campos de gás. Amorim disse que a nacionalização já era esperada, o que foi criticado no Brasil.

Ao fim do governo Lula, Amorim, nos bastidores, admitia o desejo de continuar ministro no governo Dilma.

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